Cláudio Ptolomeu (século II d.C.)

Fonte: www.eca.usp.br/.../voxscientiae/antonio22.html

Nasceu em Ptolomaida de Tebaida em 100 d.C. e não é lembrado por seu trabalho e sim pela importante síntese que realizou.

O modelo de universo concebido por Hiparco, cujas obras não sobreviveram, hoje é conhecido como sistema ptolomaico, graças ao intenso trabalho de revisão realizado por Ptolomeu. Neste sistema, a Terra é o centro do universo e os diversos planetas giram em torno dela. Os planetas, em ordem de distância crescente da Terra, são a Lua, Mercúrio, Vênus, o Sol, Marte, Júpiter e Saturno.

Os epiciclos e excentrismos de Hiparco são usados para explicar os movimentos no céu. Acredita-se que Ptolomeu tenha acrescentado alguns refinamentos de sua própria autoria. O sistema ptolomaico podia ser usado para prever as posições dos planetas no futuro próximo, com uma precisão bastante razoável para observação a olho nu.

Em seu livro, Ptolomeu incluiu um catálogo de estrelas baseados nos trabalhos de Hiparco, listou 48 constelações, cujos nomes são usados até hoje, preservou e ampliou os trabalhos trigonométricos de Hiparco e chegou a descrever instrumentos usados em observações astronômicas.

Depois da queda do império romano, os trabalhos de Ptolomeu sobreviveram entre os árabes que o chamaram de “*O maior*” ou “*Al magest*”, ou Almagesto, denominação que permaneceu até então. Os versos árabes foram traduzidos para o latim em 1175, dominando o pensamento astronômico durante a renascença.

Ptolomeu escreveu um tratado de geografia, baseado nas viagens das legiões romanas através do mundo conhecido. Incluiu mapas e tabelas esmerados das latitudes e longitudes. Esse trabalho foi traduzido para o latim treze séculos depois, a tempo de convencer Toscarrelli e, por seu intermédio, Colombo, de que a viagem da Europa à Ásia poderia ser realizada pela rota do ocidente.

A ciência no mundo muçulmano e sua chegada à Península Ibérica

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Trabalho de Ptolomeu traduzido por Ishaq

O califa Harun al-Rashid, no século IX em Bagdá, ordenou que fossem reunidos em uma coleção os tratados gregos originais e, por volta de 828, o califa Al-Mamum fez erguer uma “Casa de Sabedoria” para a tradução desses trabalhos. Nela, o principal tradutor foi Hunayn ibn Ishaq (809-877 aproximadamente), que verteu a maior parte dos escritos médicos de Galeno e começou o translado das obras de Ptolomeu sobre astronomia. Seu trabalho foi continuado por aproximadamente noventa discípulos, destacando-se entre eles seu filho Ishak (falecido em 910), que traduziu Ptolomeu e Euclides, e seu sobrinho Hubaysh, que verteu Hipócrates e Dioscórides. Al-Mamun também fundou um observatório astronômico em Bagdá, no ano de 829. Neste observatório foram iniciados estudos pelo sabeu Al-Farghani (falecido em 850), continuados por Al-Batani (858-929) e Thabit ibn Qurra (826-901). Estes últimos provinham de Harran, na Mesopotâmia, onde a antiga religião babilônica, com a sua astrologia e idolatria dos corpos celestes, sobrevivera sob a forma de uma seita pagã dos sabeus. Al-Batani obteve, para a obliqüidade da eclíptica e para a precessão dos equinócios, valores mais precisos que os de Ptolomeu, e descobriu que a excentricidade do Sol apresenta mudanças (ou, em termos modernos, que a órbita da Terra é uma elipse variável).

No final do século X, a cruzada ocidental contra os muçulmanos da Espanha resultou na queda de Toledo em 1085, e foram dessa época as traduções das versões árabes dos trabalhos científicos gregos, sendo o período mais ativo o de 1125 a 1280. A Espanha foi o centro de contato mais importante entre os mundos islâmico e cristão, pois nela encontravam-se moçárabes (cristãos conservadores de seu credo sob o domínio muçulmano) bilíngües, mudéjares (maometanos que se tornaram vassalos dos reis cristãos, sem mudar de religião), maometanos assimilados pelos cristãos e também um grande número de judeus, alguns falando três idiomas. O arcebispo Raymond fundou uma escola de tradução em Toledo, pouco depois da queda da cidade, e afluíram sábios de toda a Europa para lá, a fim de tomar conhecimento da ciência muçulmana. O tradutor mais importante foi Gerar de Cremona (1114-1187), vindo da Itália em busca das obras de Ptolomeu sobre astronomia, o Almagesto, como as denominavam os maometanos. Traduziu-o em 1175, e quando morreu já havia vertido mais de oitenta trabalhos, cobrindo todos os domínios da cultura muçulmana.

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Rumi