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Dispositor da Lua nas casas

  
Texto do astrólogo Valdenir Benedetti:

Relação do dispositor da Lua ou regente do signo lunar e os mecanismos de defesa da criança interior.

O "dispositor" (regente do signo onde se encontra a Lua) indica os padrões de imposição e controle sobre a Lua natal, esses padrões são facilmente interpretados pela compreensão dos significados da casa onde ele, o dispositor, se encontra.

O dispositor da Lua natal, na casa em que se encontra, dirige as indicações e condicionamentos a que esta submetida, independente de formarem aspecto entre si.

O regente do signo lunar, o dispositor da Lua, na casa em que se encontre, define os possíveis desafios, medos e paranóias que estruturarão os mecanismos de defesa emocional e controle da criança interior definidos pelos assuntos da casa onde se encontre o dispositor.

Regente do signo lunar na casa I: Complexo do primeiro lugar

O "mestre", muitas vezes apresentado sob a forma da mãe ou do pai, diz para a criança que, se ela não se contiver, não for bem comportada, seu projeto de vida não se realizará, ela não será ninguém, sua vida não terá significado.

Pode se impor à criança uma necessidade de competir, com a obrigação de vencer sempre. Esta imposição pode inibir qualquer competitividade, pois se não se pode perder, é melhor não se arriscar.

Em outros incita a competitividade obsessiva, vencer passa a ser uma forma de apaziguar o medo de perder. Observe que os competitivos radicais são quase sempre conservadores, não aceitam critica ou mudanças em suas vidas.

Complexo de falta de perspectiva, ou do eterno primeiro lugar.

Regente do signo lunar na casa II: Complexo de pobre

O padrão cultural determinado pelo planeta dispositor sugere que a criança não terá valor se não se submeter às regras, não terá segurança e nunca vai construir nada de consistente em sua vida. O castigo será a pobreza. O medo de ficar pobre eventualmente produz comportamentos mesquinhos.

Os educadores desta criança, representados pela casa e signo do planeta dispositor da LUA, ensinam que, só quem tem pode, e a gente precisa conservar o que tem para continuar tendo. Dar algo espontaneamente? Só se vier algo em troca.

Em algumas pessoas a questão envolve auto-estima, a estimativa que se faz de si mesmo, ocorrendo um forte sentimento de pobreza, de não ter valor, de não merecimento. Pode haver um comportamento de pobreza psicológica, pobreza emocional, pobreza comportamental, tudo isso como castigo para quem não atender a expectativa que a sociedade faz.

No caso dele se encontrar da casa II, os modelos padronizadores sempre envolvem alguma relação com bens ou com o sentimento de segurança.

Regente do signo lunar na casa III: Complexo de burro

Ouvir dizer, especialmente durante a infância, que é um "burro", que nunca vai saber nada, que não conseguirá se explicar, que o que diz e faz não tem sentido, que a ignorância será seu destino, faz com que qualquer pessoa se torne tímida, viva assustada, com medo de expressar suas idéias ou sentimentos, especialmente aquelas que contrariem a expectativa que os outros têm sobre ela.

A criança, atada pelo medo de não conseguir se explicar ou expressar, cria um universo racional, totalmente baseado em palavras e conceitos lógicos, onde o sentimento e a criatividade é limitado pela capacidade de descrever, e as descrições possíveis da realidade são circulares e repetitivas, pois se sustentam em padrões repetitivos.

Pode ocorrer, devido a cobrança constante de explicações que é vivida especialmente na infância, a necessidade de mentir, inclusive para si mesmo, como alternativa para sobreviver a pressão mental à qual pode ser submetida essa pessoa.

Complexo de esperteza. (o espertinho é um reacionário que quer levar vantagem sobre um estado de coisas pré-definido, sempre previsível e imutável)

Regente do signo lunar na casa IV: Complexo obsessão pela família e o passado

Toda estrutura familiar conspira para manter esta criança bem comportada. O apego ao lar é imposto como condição para que seja reconhecido qualquer tipo de amor. Argumentos como, quem não tem família não presta, ou os parentes são as únicas pessoas com quem você pode contar ou confiar nesta vida, mantém a criança atrelada aos dogmas, valores e pre-conceitos instituídos pela família. O passado funciona como um instrumento de coação. O modelo familiar, determinador da história pessoal, passa a funcionar como um programa rígido e imutável que não pode ser transgredido. O passado é sempre melhor que o futuro, e o velho é inegavelmente melhor que o novo, os parentes são melhores que qualquer outra pessoa e a segurança e proteção daqueles com quem temos laços de sangue é nossa única esperança de salvação e conforto.

Regente do signo lunar na casa V: Complexo do desprazer ou do adulto

O argumento do dispositor, simbolizando as pessoas e circunstâncias da casa sugere que se a criança não for bem comportada, ela não vai sentir prazer. Em muitos casos, as experiências prazerosas, sejam de ordem sexual, alimentar ou cultural, por exemplo, são apresentadas à criança impregnadas da idéia de pecado, são o passaporte para a punição nos mundos infernais. Outras vezes a afirmação criativa da identidade, sempre ligada aos mecanismos prazerosos, tem um preço: a obediência, a submissão aos modelos paternos.

A imposição do regente lunar na casa V também pode se manifestar através da idéia de que criança é ruim, criança não presta, criança enche e precisa ser controlada e educada. Isso pode nos remeter a uma infância muito infeliz ou a uma relação muito complexa com as crianças em geral. Inclusive, neste caso, os conceitos de educação implicam em obediência sem questionamento, dependência e submissão, conceitos que podem ocorrer em outras configurações envolvendo a formação repressiva da criança interior. É conveniente ressaltar que a casa V carrega também o significado de ser a II da IV, ou seja, a forma, a materialização dos conteúdos familiares.

Complexo de adulto (nega as qualidades das crianças, só ser adulto é bom)

Regente do signo lunar na casa VI: Complexo de perfeição

É sugerida a idéia de que as crianças são inúteis e incompetentes. Só merece o amor dos educadores, dos pais e adultos em geral, a pessoa eficiente e com uma conduta impecável, e certamente as crianças não podem ser assim. Portanto, se a criança quiser ser bem sucedida na vida, precisa trabalhar, obedecer, ser produtiva, responsável e principalmente, limpa. É claro que a criança não tem esta preocupação, e portanto torna-se importante para ela manter em segredo a natureza infantil, - que é normalmente oposta a estas exigências - resguardar-se das ameaças de fracasso, fingir-se adulto, esta é sua defesa. Inclusive, não obedecer as regras da VI casa pode ser a causa de somatizações freqüentes.

Pode ocorrer também, dentre os mecanismos repressores da criança interior, a sugestão de que se a pessoa não for obediente às regras, ela vai adoecer, o que pode ser um mecanismo gerador de hipocondrias.

Complexo de eficiência, ou de ordem. Complexo de saúde perfeita.

Regente do signo lunar na casa VII: Complexo do bom parceiro

A criança recebe a mensagem de que, se não for bem comportada, se não se submeter a todas as regras culturais e morais sugeridas por seus educadores, o castigo será a solidão, a rejeição, o relacionamento infeliz. Torna-se muito complicado para esta criança aceitar a espontaneidade, a alegria de um relacionamento criativo. As associações, especialmente as afetivas, são situações ameaçadoras para quem liberar seu lado criança. A perspectiva de ficar só é terrível, e apenas as pessoas responsáveis e sérias, conforme lhe foi passado, merecem viver um relacionamento "adequado". É fácil perceber este modelo educacional nas pessoas que, assim que se casam ou assumem um compromisso afetivo, tornam-se "sérias", taciturnas, perdem a alegria e a leveza (próprias do nosso lado criança) como se isto fosse demonstração de leviandade ou irresponsabilidade. Complexo do 'bom marido' (ou esposa).

Regente do signo lunar na casa VIII:

A criança entende que sempre pode existir alguém melhor do que ela, alguém que pode mais porque possui mais, porque conquistou mais, porque é mais forte ou viril. Ela tem que se manter em seu lugar para não ser ameaçada pela superioridade ilusória das outras pes-soas. A casa VIII é a II da VII, ou seja, representa também os valores do outro, a possibili-dade do "outro" ser mais ou ter mais do que ela, e isto impõe uma aparente condição de in-ferioridade, outro instrumento para se implantar um profundo medo da transformação, uma mordaça na criança.

Esta imposição dos valores externos como referencias pode gerar um comportamento inve-joso, e a inveja é um veneno amargo que faz a pessoa estacionar no que é e tem, e nunca se esforçar para ser melhor, para conquistar mais. O regente lunar na oitava casa também pode gerar uma focalização na morte, no medo da morte. Afirmações do tipo "se transgredir, se mudar alguma coisa em seu comportamento, você vai morrer!", povoam as referencias da criança interior e impedem qualquer movimento para ser feliz e livre. O medo da morte também pode ser sentido através da sexualidade, especialmente no temor de não experimentar o orgasmo, "a pequena morte". Todas estas-referencias podem funcionar como imobilizadores da criança. Complexo de inferioridade.

Regente do signo lunar na casa IX :

Existe um modelo moral que se impõe sobre a criança interior. Regras, dogmas, provavelmente religiosos. Parece que a imagem castradora de um Deus severo, conveniente para o sistema, apresentada pelos pais e educadores, cobra e exige da criança uma conduta moral bastante rígida, só que não é uma moral natural, é na verdade uma série de regras estabelecidas para que a criança se sinta limitada e contida.

Tudo que é espontâneo e simples, alegre e puro, parece ser pecado. Tudo que represente liberdade parece ser algum tipo de desobediência. A criança, atada desta forma, impede que o ser humano que a abriga obedeça a seus instintos, transgrida a ordem estabelecida por um sistema que nem sempre o faz feliz. Ele sente que ser feliz, estar contente está vinculado à idéia de pecado, é praticamente um crime. A idéia de "certo e errado" está sempre entre seus desejos e reais necessidades e a realidade limitadora e moralista que lhe foi imposta.

O medo de crescer e de sonhar também pode se manifestar com este dispositor lunar, o medo de ser alguém diferente do que se espera dele é decorrente disso. Ser um bom cidadão parece ser a sua única e derradeira alternativa, mesmo que o preço disso seja o sacrifício de sua felicidade e desenvolvimento pessoal. Existe um desenvolvimento, é claro, mas não é afinado com a própria natureza, esta na verdade muito mais de acordo com o modelo cultural externo, que muitas vezes não tem nada com a pessoa, gerando conflitos internos e uma insatisfação constante consigo mesmo.

Complexo de Juiz do bem e do mal.

Regente do signo lunar na casa X:

Uma ameaça constante parece se impor sobre a criança: A idéia de que vão pensar mal dela, que todos estão observando o que ela faz, que sempre tem alguém de "olho" no comportamento dela, tudo isso impede que esta criança aja espontaneamente. Ela apenas reage aos estímulos externos, se submete aos padrões que lhe foram ensinados, faz tudo para ser uma pessoa aceitável e responsável, e impede a pessoa adulta de ser ela mesma. Normalmente este dispositor impõe um modelo externo de comportamento e torna este cidadão um exemplo de "boa pessoa", mesmo que seja um rebelde, ele sempre esta reagindo ao padrão social, nem sempre de uma forma consciente. A sociedade na qual vive é sempre mais importante que ele mesmo! O "status" é muitas vezes mais importante que a felicidade e a liberdade.

Quem não obedecer às regras não irá progredir, não ocupará um lugar no mundo, não terá importância, etc.

Complexo de auto-importância.

Regente do signo lunar na casa XI:

Seus amigos estão de olho em você, eles te observam e te cobram tudo. A sensação que a pessoa tem, a partir da referencia que vem da criança interna é que o grupo social está sempre policiando sua conduta, e se "ela" não se submeter às exigências do grupo, será abandonada, ficará só, nunca terá amigos, não terá com quem contar se precisar.

A casa XI também representa a cristalização dos contatos associativos (V da VII), e simboli-za o momento no qual o relacionamento se afirma, se fixa, e neste caso, o dispositor da Lua, como modelo de contenção da criança interior, sugere a impossibilidade de que algum rela-cionamento se cristalize e se mantenha. Isto significa um medo de ousar em função da ne-cessidade de ter relacionamentos estáveis. A idéia é que os relacionamentos acontecem, mas nunca são realmente consistentes se a criança interna não se mantiver bem comporta-dinha, a pessoa pode ser abandonada a qualquer momento e sofrer a dor de ficar só, a dor do abandono e da rejeição.

Complexo de falta de amigos.

Regente do signo lunar na casa XII:

Esta é uma posição complexa, pois pode ocorrer uma grande dificuldade em reconhecer e aceitar que existe uma criança que pode estar sofrendo, reprimida e limitada dentro de si mesmo, e que existem mecanismos formativos que levaram esta criança a se submeter a este tipo de amarras.

A informação que a Lua recebe, a partir de seu dispositor na casa XII, evidentemente envolve questões muito subjetivas, próprias desta casa, daí a dificuldade de reconhecimento deste tipo de informação. Ela é mais sutil, talvez mais insidiosa, e a palavra "culpa" tem um peso muito grande na formação do caráter lunar contido da pessoa. Castigos divinos são invocados pelos formadores da personalidade. A ameaça do isolamento cruel, o rompimento com a vida social, através da doença ou de outro fator isolante qualquer, também aparece com algum peso. A necessidade de sacrificar-se sempre pelo outro, como uma premissa básica para não ser punido pelo divino, é outro elemento importante a ser considerado. E o sacrifício principal envolve quase sempre a obediência a regras e dogmas mal explicados, a submissão às necessidades do outro, como se fossem as próprias, para não ser renegado e isolado da realidade, enfim, é uma situação que exige delicadeza para ser abordada, pois dificilmente é reconhecida como um mecanismo opressor, pela sua subjetividade esta obrigação é vista como um fato natural da existência. Como se fosse a única alternativa possível.

Complexo de desentendido.

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Rumi