Home >> Artigos

O mito do Deus solar

Celso Prado   

O MITO DO DEUS SOLAR: ONDE LENDAS E HISTÓRIAS SE CONFUNDEM

Celso Prado

Para entendimento quanto a mitologia solar é preciso compreendermos, primeiramente, as origens de algumas histórias ou lendas, que sejam mais ou menos comuns para diferentes culturas; é sabido que homens da antiguidade não se identificavam inteiramente com os fenômenos da natureza, e por isso mesmo divinizavam seus elementos e forças então desconhecidas. O sol, por exemplo, seria para os antigos a representação mais visível de uma divindade maior, do deus invisível conhecido como Dyaus Pitar (Deus Ptah, Pater ou Pai); nesta qualidade o sol estaria, portanto, como filho visível desse grande deus, símbolo da luz e vida sobre a terra.

Pelas constantes observações celestes os homens sabiam, pela ótica geocêntrica da região mesopotâmica e circunvizinhanças, no caso, que o sol nascia sempre no dia 25 de dezembro, quando a constelação de Virgem fazia-se à noite, na época, resplandecer com força maior nos céus, ou seja, no denominado solstício de inverno; esclarecemos : no dia 22 de dezembro o sol cessava sua marcha rumo ao sul, por exatos três dias, para então reiniciar jornada em direção ao norte. Estes conhecimentos não eram restritos unicamente à Classe Sacerdotal ou a uma Ordem Iniciática formada pelos sábios da época; quase todos tinham conhecimentos a respeito, todavia a explicação metafísica e exploração religiosa estaria sempre a cargo daqueles, num período em que a religião fazia-se predominante sobre as demais culturas, e então estabeleceram-se os cultos ao deus sol, o filho do deus criador.

Quando para as primeiras organizações sociais em forma de cidade- estados, a comunidade como um todo sentia a necessidade natural de um chefe condutor, guerreiro libertador se necessário, restaurador ou mesmo formador da nação, e foi aí, que a Classe Sacerdotal soube fazer seus mitos, dando ao povo o homem ideal de que tanto necessitava, saído este de suas próprias lides ou alguém encontrado, em lugares remotos, para que dele se pudesse fazer o líder, um elemento desconhecido, sem genealogia ou família – esta geralmente morta numa cilada pelos próprios sacerdotes, sendo o indivíduo escolhido, ainda infante, salvo de uma maneira providencial e entregue aos cuidados de alguma das Virgens da Ordem, sacerdotisa ou iniciada; talhava-se o perfil deste líder vinculando-o a antigas profecias, nem sempre tão antigas, escritas e acrescentadas aos textos anteriores..

Anunciava-se então sua vinda, o próprio filho de deus, para a organização da pátria, unificação ou condução dos homens, de conformidade com as necessidades, ou seja, de acordo com a vontade do deus maior, em atenção aos clamores de seu povo eleito. Às vezes, e com o tempo isto tornou-se regra maior, os próprios pais (geralmente pessoas humildes – gentes do povo e piedosos) entregavam o próprio filho, ainda criança, para os serviços dos deuses, sendo este então devidamente preparado e doutrinado para missões necessárias.

Assim, numa época determinada este homem especial seria apresentado a todos, como o esperado e anunciado filho de deus, miraculosamente vindo ao mundo, para uma obra grandiosa junto ao seu povo; como o sol encarnado e luz do mundo o prometido tinha como data de nascimento sempre o dia 25 de dezembro e, para traze-lo ainda mais próximo dos homens, como símbolo ou elo de ligação entre deus e a humanidade, ditava-se-lhe por mãe uma das mulheres virgens do templo; para a vinda deste Redentor, os líderes religiosos determinavam seu perfil que aos poucos era incutido na mente e crença do povo, usando de místicas, prognósticos e referências escriturísticas que eles próprios lavravam..

Nestas condições, Jesus a exemplo de outros tantos redentores, seria um mito – o sol filho de deus, ou então uma criança entregue aos cuidados de alguma Ordem, vindo destacar-se dentre os demais para a grande e estranha obra de redenção.

Algumas tendências unificam estas situações: Jesus seria um humano, revestido de um caráter mitológico de acordo com as tradições.

DOS NASCIMENTOS VIRGÍNEOS,

CERTAS ANUNCIAÇÕES E AS DIVINAS CONCEPÇÕES

"Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel (que é Deus conosco". (1)

"Bendita és tu. . .entre todas as mulheres fostes escolhida para a obra da salvação; ele virá com uma coroa de luz. . .Virgem Mãe, pois que darás à luz a nosso Salvador, a quem porás o nome de. . .". (2)

"Disse-lhe : Exulta-te ó Virtuosa e sê feliz, pois o filho ao qual darás a luz, é Santo" (3)

"E dará à luz um filho e chamarás o seu nome. . .; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados". (4)

Nascimentos de filhos de deuses com mulheres virgens, são fatos assim não tão isolados na história da humanidade; todas grandes civilizações do passado tiveram seus redentores, heróis e reis, nascidos de mulheres que ainda não haviam se relacionado, sexualmente com homem, concebendo portanto por obra e graça do divino espírito santo de deus; de maneira geral, estas mulheres eram recém casadas ou prometidas, todavia ainda sem conjunções carnais.

As divinas concepções quase sempre vieram precedidas de anunciações, enquanto que o ato gerador em si era a palavra, simbolizada por alguma forma de representatividade desse mesmo deus, um animal sagrado, uma ave ou simplesmente um raio de luz; grande parte desses nascimentos virgíneos, fazia parte do cumprimento de profecias contidas em textos sagrados. Curiosamente todas as religiões aguardavam um filho de deus, e os teve em seu meio, para certas missões especiais.

Histórias sagradas, profanas e muito mais as mitológicas, mostram-se bastante ricas em relatos desses fenômenos, muito próximos uns dos outros : as mulheres são virtuosas, que ainda não haviam conhecido homem embora casadas, que se faziam escolhidas de um deus com propósito de vir ao mundo, para alguma obra redentora junto ao povo; o grande mistério dos cristãos não foi, portanto, um caso tão atípico ou original assim.

Zaratustra (Zoroastro), que viveu cerca de mil anos a C., profeta persa e fundador do Masdeísmo – Zoroastrismo, era filho de deus gerado numa virgem; sabe-se que o judaísmo foi profundamente influenciado pelo Masdeísmo, quando os judeus estiveram subjugados pelos persas, dele absorvendo muito de seus mitos.

Kristna (Krishna), na Índia por volta de 575 anos a C., fora concebido por obra de um deus altíssimo numa virgem. Muitos dos acontecimentos com esse homem deus, foram repetidos em Cristo, sendo impossível não perceber similitudes. Também não podemos ignorar certas interações entre religiões da Índia com as do Irã (Pérsia).

Sidartha Gautama (Budha), nascido em 568 anos a.C. na Índia, teve por mãe uma virgem e filho direto de deus. O Budismo tem paralelismos incontestes com o Cristianismo. E assim o foram Mitra, fundador do Mitraísmo na Pérsia; K’ung-fu-Tzu (Confúcio) do Confucionismo chinês, Hórus no Egito, Tammuz na Babilônia, Hésus dos druídas, Bedhru (Beddru) e Mikado no Japão, Crite (Crito) da Caldéia, são alguns poucos exemplos de um rol de redentores messiânicos, que vieram ao mundo como filhos de deuses e de virgens.

Júlio César, imperador romano (100 – 44 a C.), Platão (437 – 347 a C.), filósofo grego, e mais uma lista de faráos do Egito, também são frutos de concepções virgíneas por parte dos deuses. A América pré-colombiana teve seus homens deuses, assim como todas as demais civilizações conhecidas e desaparecidas, mesmo dentre os povos mais simples.

Até meados deste século (XX), o Imperador do Japão era considerado oriundo de ascendência divina. Ainda hoje, alguns místicos que se levantam, afirmam ser filhos de deus ou de extraterrestres, nascidos de mulheres virgens; destes alguns até dizem que já chegaram à Terra enviados na forma adulta, para as devidas missões especiais.

Muitos dos filhos de deuses que antecederam Jesus, foram sem dúvidas elementos influenciadores para a formação do caráter daquele, conforme nos é apresentado. Um bom número deles não somente nasceram de virgens por uma divina concepção, como também apresentam outras semelhanças surpreendentes com a vida de Jesus : nasceram de famílias humildes porém piedosas, em grutas (cavernas) ou estrebarias, visitados por magos e pastores que lhe ofertaram presentes – em geral ouro, incenso e mirra : estrelas ou anjos indicavam-lhes o local de nascimento; muitos deles foram apresentados num Templo onde foram tomados nos braços por algum idoso (santo) visionário; suas chegadas ao mundo trouxeram mortes aos infantes; foram perseguidos e obrigados a fugir para outras nações, de onde retornaram, posteriormente, quando das mortes dos déspotas; perderam-se de seus pais, quando na puberdade, sendo encontrados posteriormente entre alguns velhos sábios, discutindo acerca das escrituras sagradas; iniciaram seus ministérios numa idade próxima aos trinta anos, logo em seguida a uma estadia no deserto, onde jejuaram por quarenta dias e noites, resistindo a tentações e, por fim, assistidos por anjos celestiais.

Os meninos-deuses sempre tiveram homens no lugar de pais, como esposos de suas mães, que intentaram abandona-las tão logo as souberam grávidas, sem que com elas houvessem mantido conjunções carnais, somente não o fazendo porque foram avisados por anjos, em sonhos, para que assim não procedessem, pois os que nelas estavam gerados eram obras do espírito santo de deus; aliás, anjos também sempre foram uma constante para ações das famílias sagradas, no sentido de proteções aos filhos divinos; os homens, pais adotivos, saem de cena quando os jovens sagrados mostram condições de subsistência própria. Os anjos do judaísmo, adotados pelos cristãos, são elementos de outras culturas como a dos babilônios e dos persas.

As similitudes entre os redentores não cessam : escolheram discípulos, um dos quais mal caráter e traidor, fizeram milagres inclusive de ressurreições de mortos, pregaram o reino dos céus e a libertação social do povo, com lindas mensagens de amor, perdão e resignação; antes de serem traídos promoveram uma ultima ceia e, de uma maneira ou de outra, morreram de forma sacrificial para a salvação dos seus – alguns até mesmo na cruz, para ressuscitarem ao terceiro dia, apresentando-se aos seus, por um certo período, antes de subirem aos céus para junto do pai celestial, prometendo contudo o envio do espírito da sabedora (espírito santo), que assim os conduziria até o fim dos tempos, quando então eles próprios retornariam à terra para pronto estabelecimento de um reino espiritual eterno.

O que seria a união de um deus com alguma virgem, para traze-lo ao mundo, e o porque de tantas coincidências?

1. NASCIDOS DE HIEROGAMIAS: UMA PRÁTICA DOS DEUSES

Para determinadas culturas, já devidamente organizadas e hierarquizadas, a figura do Sumo Sacerdote tornara-se sagrada e identificada como o filho de deus, posteriormente elevada à condição do próprio deus encarnado – o deus vivo entre os homens.

Nesta situação, o Sumo Sacerdote na qualidade de um dos deuses sobre a face da terra, tinha entre suas obrigações, "certos deveres conjugais" (5) com algumas das deusas, no ato representadas por suas sacerdotisas ou iniciadas, chamadas de virgens (6); com estes relacionamentos a Ordem visava manutenção da tradição de origem divina, para o Supremo Sacerdote, e divino seria seu substituto quando aquele, um dia, resolvesse voltar para a morada celestial; os filhos destes relacionamentos produziam os chamados filhos dos deuses(7) ou filho de deus com uma virgem, preparados, doutrinados e sempre destinados às missões especiais ou necessárias.

Pelo Livro de Tiago, apócrifo conhecido por Proto Evangelho de Tiago, Maria mãe de Jesus fora entregue pelos pais, aos cuidados do templo, onde permanecera dos três aos doze anos de idade, quando então prometida em casamento a um certo José; segundo tradições da época, Maria continuaria no templo ainda por mais um ou dois anos, até a festa do noivado – primeiro ato legal do casamento, embora a vida conjugal somente viesse se consumar após as núpcias, um ano depois (no caso de mulher virgem, tempo reduzido para até um mês no caso de viúva), quando então o noivo recebia a noiva em sua casa. Durante o período de espera, a noiva, já chamada de esposa, ainda permaneceria na casa dos pais ou de seus preceptores, e somente em casos muito especiais, como adultério da mulher ou morte do noivo, poderiam efetivamente serem rompidos os compromissos assumidos(8).

Acredita-se que Maria, por volta dos doze anos, fora oferecida a José que somente veio recebe-la esposa uns dois anos depois, estando a jovem já grávida de deus, ou seja de um Sumo Sacerdote. José a aceitou como esposa depois de certa relutância, convencido em sonhos (indução hipnótica ou negociações?) de que o que nela estava, era obra do divino espírito santo de deus.

Em certas culturas, parece, seria grande honra algum varão ser pai adotivo de um menino-deus. Também não eram incomuns certas negociações para que algum varão viesse aceitar uma virgem grávida em sua companhia.

2. FILHOS ADULTERINOS

Jesus era chamado, pelos opositores, de filho da fornicação(9), existindo inclusive uma lenda de que Maria concebera seu filho de um soldado (legionário) romano,(10) por nome Pantheras, com quem se relacionara; a aceitação relutante de José permitira, contudo, que Jesus viesse ao mundo. A este respeito, alguns especialistas acreditam : Maria fora repudiada pelo marido, em razão de adultério com o legionário, justificando-se que Jesus era identificado mais como o filho de Maria.

Existem efetivamente relatos judaicos, Tosefta e Baraíta, mencionados no Talmude, sobre um tal Jesus filho de um certo Panteiri, forma hebraico/aramaica do grego Pantheras, que todavia refere-se àquele Yeishu ha-Notzri como filho de Pandeira (Pantheras), daí a realidade de que Yeishu seria bnei Yoseph Panteiri ou bar Yoseph Panteiri, isto é, Jesus filho de José Pandeira.(11)

Estudiosos cristãos não concordam nem que Jesus seja filho de Maria com algum legionário chamado Pantera, nem que a palavra Panteiri seja designativo de algum José pai de Jesus; para eles Panteiri seria forma hebraica/aramaica de se pronunciar a palavra grega Parthenos que significa Virgem e, então Jesus seria filho de uma virgem e não fruto de algum caso amoroso de Maria, sua mãe, com algum soldado chamado Pandeira, e muito menos de José Panteiri. Especialistas em línguas antigas (hebraico, aramaico e grego) não compreendem alguma possível confusão entre os nomes, destacando-se que os judeus não eram censurados quanto a forma de escrita, e que Pandeira em sua forma grega Pantheras) é muito diferente de como se escreve, naquela língua, a palavra Virgem (Parthenos).(12).

Por outro lado, sabemos pela História Judaica, que soldados sob ordens romanas em represálias às insurreições populares na Palestina, às vezes invadiam regiões, cidades, vilas e povoados, dizimando pessoas e praticando crueldades e violências contra mulheres; com certeza muitas crianças nasceram destas uniões forçadas (de estupros); José, resignado ou mesmo compartilhando o drama e vergonha de Maria ou, ainda, aconselhado, assumira a paternidade de Jesus.

Quanto a primeira hipótese, não a julgamos nada conveniente por serem palavras o proferidas pelos adversários de Jesus, algo normal, convenhamos, em se tratando de um ser da estatura de Cristo; preferimos não desmerecer Maria, mais em respeito a sua dor, caso lhe tenha ocorrido algo do gênero, optando assim não envolve-la num pressuposto, apenas em defesa de alguma idéia; outros homens-deuses e suas mães também passaram por tais difamações, sempre por parte dos inimigos.

Entendemos no entanto, que a segunda colocação pode ter sido lamentável realidade sofrida por Maria, porém seria injusto deduzirmos, onde exatamente se calam possíveis verdades dos fatos, de vez também que nada indicam para aquela possibilidade.

3. JESUS NÃO NASCERA DE MULHER, APENAS ATRIBUIU-SE-LHE UMA MÃE

Marcion, conforme já citado, não acreditava num Jesus nascido de mulher; para ele, o deus bom descera à terra, já na forma adulta, assumindo um corpo apenas aparentemente humano. Esta personagem considerada herética pela Igreja, foi dos maiores nomes do gnosticismo antigo, desenvolvendo algumas das principais idéias do docetismo, que aliás já vivenciava com certa originalidade.

Tais acontecimentos não são assim tão incomuns nas mitologias e textos sagrados, onde determinados seres surgem na terra numa forma adulta – as teofanias(13) , lembrando que o autor da Epístola aos Hebreus nos adverte quanto a possibilidade de virmos receber ou mesmo hospedar algum ser não terrestre(14).

Algumas correntes evoluídas deste pensamento, acreditam no entanto que Jesus fora sim um homem, nascido de mulher e homem, altamente inteligente e religioso, que tivera – por ocasião de seu batismo, a incorporação de um Avatar ou de um Entrante, chamado Cristo, para realização de uma obra de expiação para a humanidade; a partir deste momento Jesus deixara de ser Jesus para ser o Cristo. Para estes pensadores apenas Jesus era humano mas não o Cristo, este o verdadeiro iluminado e executor da obra redentorista. Estas figuras são comumente aceitas, naquelas formas e possibilidades, observáveis em diversas culturas e formas de religiosidades, como a indiana e certas correntes espiritualistas.

4. JESUS NASCIDO DE HOMEM E MULHER

Muitas correntes de pensadores acreditam nesta hipótese, considerando muito forte a personalidade de Jesus, para que este fosse apenas um mito. Ressaltam todavia que Jesus fora apenas um homem religioso, ao extremo de evocar, para si, cumprimento das profecias bíblicas referentes ao Messias Libertador, realmente acreditando ser este, até o momento da sua morte quando descobriu-se sozinho; as ultimas palavras de Jesus na cruz seriam claras referências a este abandono por parte do deus em quem tanto acreditara(15).

Entendem estes pensadores que Jesus, após sua morte, transformara-se, pela piedade humana e religiosa, no Messias Sofredor e que esta mensagem cativou corações. Para eles Jesus não fora nenhum deus humanizado e sim um homem progressivamente elevado à condição de deus (16).

5. JESUS NÃO EXISTIU EFETIVAMENTE

Opinião geralmente aceita por muitos estudiosos que não encontraram historicidade de Jesus; para estes Jesus fora apenas um mito que a religião soube desenvolver com muita maestria, tomando-o de empréstimo de outras culturas diversas, unificando histórias com roupagens de originalidades.

Argumentam estes especialistas que Paulo – o Apóstolo tardio, jamais se referiu a um Jesus histórico, voltando-se única e exclusivamente para um Cristo Ideal; também crêem que textos bíblicos – Antigo Testamento e outros que não fazem parte do Cânon (17), tenham sido transcritos muito depois, para formatar uma existencialidade humana de Jesus como o Cristo Prometido, considerando assim que os primeiros tradutores do cristianismo promoveram, por determinações ou regras de fé, alguns certos arranjos com acréscimos de textos, transposições de outros, deturpando originalidades de documentos antigos.

Outro forte argumento destes contrários, estaria na ausência histórica de uma cidade chamada Nazaré.

Estudiosos não cristãos ou mesmo alguns destes que não se colocam numa fé cega diante das razões e lógicas, entendem que o Jesus dos cristãos jamais tenha existido historicamente, quando muito apenas admitindo um Cristo ideal, forjado à imagem e semelhança de outros Messias de culturas diversas.

Estudando civilizações do passado e formas de religiosidades de povos da antiguidade, vemos realmente e sempre, a figura emblemática de algum Messias para cada gente a seu tempo. É impossível a um exegeta não montar a figura ideal para Jesus Cristo, sob todos os ângulos e aspectos ideológicos, ao colher dados positivos dos muitos redentores que teve a humanidade.

6. CONCLUSÃO

Sem as pretensões de um mero constestador e muito menos ensejar confrontos com uma estrutura milenar, sedimentada em torno de um nome conagrado nas cabeças, tem-se que o Jesus Cristo dos cristãos jamais tenha existido, em termos históricos, sendo todavia inegável a realidade do Cristo Ideal.

Jesus Cristo é portanto mera figura à imagem e semelhança de outros tantos redentores de civilizações distintas; sempre cada povo teve seu Messias à sua época. Não há um Jesus dos cristãos, homem-deus ou deus-homem, que tenha efetivamente existido, e o mais próximo dele, Yeishu ha-Notzri, antecedeu-o em décadas, conforme tradições antigas do povo judeu e transcrições do Talmude.

A aceitação do Cristo nas cabeças, não há estudioso que negue - e aqui não interessa qual a seita responsável -, foi imposta à força, a preço de vidas aos milhões, tanto pela Inquisição quanto pela dizimação de povos e civilizações inteiras, a exemplo das gents americanas pré-colombianas, sem apontar matanças outras ordenadas sempre contra os infiéis ou àqueles que ousavam contrariar o credo.

Hoje temos de reconhecer a grande contribuição do Cristianismo nos destinos da humanidade de agora, sobre todos aspectos legais, sociais e de moralidade entre tantas participações ativas e dignas dos mais altos valores, o que porém não apagam erros do passado, onde se cometeram tantas atrocidades, que o holacausto hediondo e reprovável da Segunda Grande Guerra Mundial, surge apenas como pálida imagem daquilo que se fez em nome de Cristo, com tantos sacrifícios e horrores piores; e omais dramático nisso tudo, é que com as vidas se foram as civilizações.

Cristo, histórico ou ideal - não importa -, nada tem a ver com tamanha estupidez dos homens, ainda que em torno de seu nome, como também nada de responsabilidades quanto ao Império Econômico que se agiganta cada vez mais nos dias atuais, também em seu nome, como fazem os exploradores da fé, vendedores de ilusões e os corretores da Imobiliária dos Céus; diz-se com bastante propriedade que, neste mundo de tantos milagreiros em nome de Jesus, ele é quem menos faz e fez milagres, até porque milagres não existem, como Jesus nunca existiu.

Referências:

  1. Bíblia, Antigo Testamento, Livro de Isaías 7:14; Bíblia, Novo Testamento, Mateus 1:23.
  2. Transcrição da obra de Holger Kersten – Jesus Viveu na India –, edição Best Seller, 1986. Anunciação quanto ao nascimento de Krishna.
  3. Ibidem. Anunciação do nascimento de Sidartha Gautama (Buda)
  4. Bíblia, Novo Testamento, Evangelho Segundo Mateus, 1 – 21. Anunciação sobre o nascimento de Jesus.
  5. Amar Handami – Suméria, a Primeira Grande Civilização – da Coleção : Grandes Civilizações Desaparecidas, publicada por Otto Pierre Editores, 1978, páginas 87 e 88; diz o autor : "No início do III milênio [a C.], o ensi [Sacerdote Rei ou Supremo (Sumo) Sacerdote] era submetido a ritos por vezes surpreendentes. Assim o templo tinha uma câmara especial no alto do edifício : era ali que o Sacerdote Rei vinha regularmente "consumar a hierogamia", prática do rei para com a deusa Innana, representada por uma de suas sacerdotisas. Da sua união dependia a prosperidade da nação. . ." – nota : as palavras entre colchetes foram colocadas para esclarecimentos, enquanto que as entre aspas são postas pelo autor da obra.
  6. A palavra virgem, pelo texto bíblico de Isaias 7 – 14, tem o significado mais exato de mulher jovem, conforme opiniões de especialistas.
  7. A Gênesis, 6 – 2 e 4, que os filhos dos deuses uniam-se às filhas dos homens e que destas uniões nasceram os gigantes, isto é, homens de saber e de grandes preparos, os heróis da antiguidade. Ver Bíblia Sagrada, traduzida pelo PIBR, notas explicativas referentes ao capítulo e versículos citados.
  8. Osvaldo Ronis, Geografia Biblica
  9. Evangelho de Nicodemos, II – 4; Apócrifos os Proscritos da Bíblia – I, compilados por Maria helena de Oiliveira Tricca, publicação da Editora Mercuryo, 1989 página 230. 10. Danilo Nunes – obra já mencionada, página 77, refere-se ao assunto e, em nota de rodapé (15) escreve : 2"Toldoth Yéshou ou Messéh Taloui, cuja edição mais recente não tem data de indicação do local da impressão. Talmud. Segundo Orígenes, Celso teria sabido, em 178, por um judeu, que Maria fora repudiada por seu marido, um carpinteiro, por adultério, sendo Jesus filho do solado Pantera (Ob. cit., 2I)". 11. Hayyn ben Yehoshua - O Mito do Jesus Histórico (Internet) 12. Ibidem 13. Livros bíblicos Genesis e Tobias referem-se às presenças de seres angelicais na Terra, muitas vezes representando o próprio Deus (TEOFANIA) 14. Epístola aos Hebreus 13:2 15. Mateus 27 – 46 e demais referências; Jesus teria clamado "Eloí Eloí, lamá sabactani", palavras desconhecidas pelos que estavam próximos, traduzidas contudo como "Deus meu Deus meu, porque me abandonaste?". Até o ultimo instante de sua vida, Jesus certamente esperava por um milagre dos céus em seu socorro. 16. Pensamento em contrário do que diz Challáye, à pagina 217 de sua obra citada, referindo-se a Jesus : "Seria2 um Deus que a ingênua piedade de seus fiéis teria progressivamente humanizado". 17. Epístola Universal de Judas, em seu capítulo único, verso 14, que se refere a uma profecia (de Enoque), não existente no Cânon Bíblico.

Para participar da lista horoscopo, digite seu email:

Artigos


Topic list: Capa.WebMensagem001
Number of Tips: 1
Random Number: 1
Web.Topic: Capa.WebMensagem001
Dot pos: 5
Web: Capa
Topic: WebMensagem001
Full URL:  

Se desejais chegar à casa da alma,
buscai no espelho o rosto mais singelo.
Rumi