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Textos, poemas, canções ao Sol

  

O CHAMADO MÍTICO emitido pela Federação Galáctica

(leia em voz alta)

Faz um tempo, um grande concílio galáctico foi convocado e um chamado mítico foi emitido aos inumeráveis seres de luz: os meninos do Sol, os anjos alados, os mensageiros do Sol, os guerreiros do arco-íris e outros seres luminosos de muitos sistemas estelares.

No momento da reunião, O AMOR DAS GALÁXIAS GIRATÓRIAS, O GRANDE ESPÍRITO, entrou enchendo de graça com sua luz celestial e as seguintes palavras:

ESTÃO CONVIDADOS A ENCARNAR EM UM MUNDO, ONDE UMA GRANDE TRANSFORMAÇÃO TOMARÁ LUGAR. Vocês, que responderem a este chamado, irão a um lugar de evolução planetária, onde as ilusões do temor e da separação são fortes mestres. Chamo aqueles com o dom e talento necessários para que lá atuem como meus emissários, para elevar e transformar as freqüências do PLANETA TERRA, simplesmente incorporando e ancorando a presença do amor! Nesse mito você serão os criadores de uma nova realidade, a realidade da OITAVA DOURADA.

E o AMOR das Galáxias Giratórias – O GRANDE ESPÍRITO – continuou: em outras viagens cada um de vocês comprovou ser um navegante intuitivo, capaz de despertar sua consciência e alinhar seu coração ao impulso do AMOR PURO e do SERVIÇO COMPASSIVO. Como mensageiros do Sol e portadores da tocha, vocês demonstraram que manterão a luz no alto, e, assim, os convido a encarnar massivamente entre as tribos da Terra para ajudar a GAIA e todos os seus filhos na sua transformação. Esta é a parte do plano em que vocês serão velados pelo esquecimento. Contudo lembrem-se, por enquanto, de que o sentimento da inocência infantil e o da confiança chegarão a ser acionadores harmônicos neste ciclo de começo para a Terra. A encarnarão, segundo o carma a ser processado de forma estratégica, poderá ser em áreas vibracionais densas do planeta. Para alguns, a ilusão de separação do amor, que se chega a sentir, poderá criar sentimentos de desolação, falta de apoio e alienação, mas, insistindo no caminho do amor e da virtude LEVARÁ A CONSCIÊNCIA AS PROFUNDEZAS DA DUALIDADE E SUA LUZ VITORIOSA E ALEGRE, ANIMARÁ A MUITOS.

Encarnados, terão oportunidade de catalizar, processar, iluminar e conscientizar tudo o que alcançaram durante muitas encarnações, para a alegria da sua alma. É importante, para vocês, escolher como dançar com a Terra Gaia e seus filhos, enquanto ela completa sua cerimônia de luz.

De tal modo falou o CRIADOR À LUZ DAS GALÁXIAS GIRATÓRIAS.

E foi assim que os seres luminosos, que formaram as inúmeras alianças, federações e concílios dos fiéis das estrelas, escolheram encarnar no planeta Terra para ajudar neste crucial evento: O DESPERTAR DO SONO PLANETÁRIO.

Foi elaborado um processo de proteção do plano, para despertar aos terráqueos,

da ilusão da separação e do véu do esquecimento,

que é tão dominante sobre a T*erra*.

Os seres luminosos que viajaram para ajudar a GAIA concordaram em AVIVAR uns aos outros a lembrança. Assim, essas sementes estelares deixaram códigos em várias formas, como sons, cores, luzes, imagens, palavras e símbolos, uma ressonância vibracional, que as ajudaria a recordar seu compromisso com a luz. Ficou estabelecido que essas* chaves codificadas apareceriam em todas as partes: na arte e na música vibracionária, em olhares penetrantes, em conversações e sentimentos, tudo criando um profundo desejo de despertar e chegar a ser a ENCARNAÇÃO DO AMO*R.

Assim, vocês, os filhos do SOL, estão agora sendo banhados com a água da recordação Pouco a pouco encontraram respostas a todas as perguntas e usufruirão da consciência de suas missões. Guerreiros do arco-íris estão completando a promessa do novo e antigo mito, simplesmente facilitando, canalizando a presença do AMOR NA TERRA. As suas vidas amorosas palpitarão no manto dos deuses, e canalizarão ondas de cura e de amor, pelos seus corpos receptivos que ganharam de Gaia, permitindo a cura do planeta Terra e todos seus seres.

A medida que forem acordando, dons e habilidades serão ativados despertando e habilitando a outros. Utilizando as ferramentas do riso, do canto, da dança, da alegria, do gozo, da confiança e do amor, vocês estão criando uma profunda onda de transformação, que transmutará as limitações do antigo mito da dualidade e da separação, realizando o milagre da paz, da consciência e da unidade sobre a Terra.

Utilizem seus dons em benefício de Gaia.

Numa nova consciência, Gaia e seus filhos ascenderão em vestimentas de luz, formando um LUMINOSO CORPO DE LUZ E DE AMOR, para renascer em direção às estrelas.

O CHAMADO MÍTICO FOI EMITIDO.
O grande desafio começou.

ACORDEM,

GUERREIROS DO ARCO-ÍRIS, MENSAGEIROS DO SOL, SERES LUMINOSOS DAS ALIANÇAS GALÁCTICAS, FEDERAÇÕES E CONCÍLIOS.
Antigos caminhantes do céu, graduados novamente neste momento, permaneçam na beleza e no poder do amor de Gaia.

Deixem de lado a desconfiança e todas as emoções negativas.

Vocês são filhos divinos do Sol, vão para onde seus corações os levem, a fim de compartilhar seus grandes dons.

Entreguem-se à magia na Terra.

LEMBREM-SE DE QUE DANÇAMOS E CANTAMOS AQUI COM UM ÚNICO CORAÇÃO.

Texto de Nelson Mandela

"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é o de sermos poderosos, brilhantes, belos, vitoriosos, fabulosos.
É a nossa luz, não a nossa escuridão que mais nos amedronta...

O jogo de ser pequeno não serve ao mundo.
Não há nada iluminado com relação a se encolher,
para que as outras pessoas não se sintam inseguras ao seu redor.
Fomos feitos para brilhar, como crianças brilham.
Nascemos para manifestar a gloria de Deus que está dentro de nós.
Ela não está só em alguns de nós, está em todos nós.
E enquanto nós deixamos nossa própria luz brilhar,
nós inconscientemente damos a outras pessoas permissão para fazer o mesmo.
Quando nos livramos do nosso medo,
nossa presença automaticamente libera outros".
"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco"
"Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada". (EB).

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

"Enquanto os cães ladram, a caravana passa".

"É importante ter fé, acreditando naquilo que você não vê: a recompensa por essa fé será VER AQUILO EM QUE VOCÊ ACREDITA".

"Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não fazer algo só depende de nossa vontade e perseverança".

Brilha Sol

( Gustavo Aloe )

Tu que estás todo dia no mesmo lugar
Lá no alto do Céu, tão distante
E mesmo assim me faz sentir
Sinto seu calor
Sua luz
Seu amor
Sua alegria que me contagia
Quando estás a brilhar, brilha todo o meu dia
Tu que faz tudo brotar
Brota o amor, brota a paz, brota as plantinhas para nos alimentar
Tua Luz também nos alimenta
Preenche um vazio no meu peito, seus raios acalentam
Meu caminhar se completa
Que grande exemplo, iluminar à todos, sem distinção
Pode ser feio, ou bonito, rico ou pobre, Tu sempre és o mesmo, tua luz é igual para todos
Que grande exemplo, tua firmeza és algo incomparável, sempre belo, sempre feliz, sempre você
Ó grande pai do Universo, onde tudo gira ao seu redor
Tuas qualidades quero ancorar no meu ser
Como seu filho, quero poder brilhar e iluminar onde quer que eu ande
Ser feliz, ser livre, ser belo, ser o SOL
Tu sois meu guia, tu sois Divino
Brilha, brilha brilho brilha brilho brilha...

A VITÓRIA DA VIDA

POBRE DE TI SE PENSAS SER VENCIDO!
TUA DERROTA É CASO DECIDIDO.
QUERES VENCER, MAS COMO EM TI NÃO CRÊS,
TUA DESCRENÇA ESMAGA-TE DE VEZ.

SE IMAGINAS PERDER, PERDIDO ESTÁS:
QUEM NÃO CONFIA EM SI, MARCHA PARA TRAZ;
A FORÇA QUE TE IMPELE PARA A FRENTE
É A DECISÃO FIRMADA EM TUA MENTE.

MUITA EMPRESA ESBOROA-SE EM FRACASSO
INDA ANTES DO PRIMEIRO PASSO;
MUITO CONVARDE TEM CAPITULADO;
ANTES DE HAVER A LUTA COMEÇADO;

PENSE EM GRANDE E OS TEUS FEITOS CRESCERÃO;
PENSE EM PEQUENO, E IRÁS DEPRESSA AO CHÃO;
O QUERER É O PODER ARQUIPOTENTE,
É A DECISÃO FIRMADA EM TUDA MENTE.

FRACO É AQUELE QUE FRACO SE IMAGINA,
OLHA AO ALTO O QUE AO ALTO SE DESTINA,
A CONFIANÇA EM SI MESMO É A TRAJETÓRIA
QUE LEVA AOS ALTOS CIMOS DA VITÓRIA,

NEM SEMPRE O QUE MAIS CORRE A META ALCANÇA,
NEM MAIS LONGE O MAIS FORTE O DISCO LANÇA,
MAR O QUE, CERTO EM SI, VAI FIRME E EM FRENTE,
COM A DECISÃO FIRMADA EM SUA MENTE...

"Poema ao Sol" de autoria do Faraó Amenófis IV,

No início da década de 1970, em uma das programações do Planetário Municipal de São Paulo, cujo título era "Viagem ao Egito Antigo", descrevíamos os aspectos mais relevantes da influência desta milenar cultura nos caminhos da Astronomia. Em certo ponto da programação, o Sol descrevia seu movimento diurno pelo céu e ao som de "Adágio" de Albinoni, nosso colega Walter Augusto Sêvo declamava o "Poema ao Sol" de autoria do Faraó Amenófis IV, cujo texto (fragmentos com tradução livre do francês) reproduzimos a seguir, conforme publicado, na época, pelo Planetário Municipal:

"Tu és belo no céu... oh! Sol vivo!
Quando te levantas a leste
enches todas as terras com tua beleza,
porque és belo, és grande e brilhas acima da Terra.
Teus raios beijam os povos e tuas criações.
Tu és deus e nos seduziste a todos.
Tu nos impuseste os liames de teu amor,
e, ainda que longe, teus raios atingem a Terra
e, ainda que alto, teus passos marcam o dia.
Dás alento e fazes viver tudo o que criaste;
quando a criança nasce lhe dás a palavra
e crias tudo o de que ela precisa para viver.
E para terminar tuas obras, criaste as estações:
o frio no inverno e o calor no verão.
Criaste o céu longe e alto para por ele subir
e observar tua criação.
Vives mergulhado no teu brilho fulgurante,
oh Sol! Que te levantas
e que desapareces para voltar.

Bendito sejas tu, que sobes no céu
e que fazes brilhar o horizonte!
Bendito sejas tu, deus sublime da paz!

Sol, quando te levantas no céu em todas as manhãs
em tua beleza incomparável acima da Terra,
beijas com amor todos os povos que criaste.

Tu és deus, tu és Rá!
Estás longe, mas teus raios fertilizam o sulco do arado
e germinam as plantas depois que beijas a terra.
Tu nos deste o inverno refrescante
e o verão que nos traz o fruto e a vida.
E os camponeses, que colhem os alimento dos homens,
levantam as mãos para ti...
rezam quando te levantas, ao deixares o leito noturno."

Canto a Aton

(trad. de S. Donadoni, de A Literatura Egípcia, Sansoni, Florença)
"Adoração de Harakhte que se alegra no horizonte,
No seu nome de Luz que está em Aton, vivendo eternamente para sempre,
E do Aton vivo que está; em festa, senhor de tudo aquilo que circunda Aton
Senhor do céu, senhor da terra, senhor da Casa de Aton em Akhet Aton
Rei do Vale e rei do Delta que vive da verdade (Ma'et);
Senhor dos Dois Países, Nefer-kheperu-Rá Ua'-en'Rá
Filho de Rá que vive da verdade (Ma'et)
Senhor das coroas Akhenaton sublime de duração;
E da grande esposa real que ele ama,
A senhora das Duas Terras Nefer-nefru-Aton Nefertite,
Viva, sã, jovem eternamente para sempre.
Ele diz:
Tu surges belo no horizonte do céu
Ó Aton vivo, que deste início ao viver.
Quando te ergues no horizonte oriental todas as terras enches de tua beleza
Tu és belo, grande, resplandecente, excelso sobre todo país;
Os teus raios iluminam as terras
Até o limite de tudo o que criaste.
Tu és Rá e conquistas até o seu limite.
Tu as unes para teu filho amado.
Tu estás longe, mas os teus raios encontram-se sobre a terra,
Tu estás diante (da gente), mas eles não vêem o teu caminho.
Quando tu vais em paz ao horizonte ocidental,
A terra fica na escuridão como morta
Os que dormem encontram-se em suas camas,
As cabeças cobertas com mantas,
Um olho não vê o outro.
Se roubassem seus bens que se acham debaixo de suas cabeças,
Eles nem perceberiam.
Todos os leões saem de suas cavernas;
Todas as serpentes, elas mordem.
A escuridão é (para eles) claro.
Jaz a terra em silêncio.
Seu criador repousa no horizonte.
Na aurora tu reapareces no horizonte.
Resplandeces como Aton para o dia sereno.
Tu eliminas as trevas e lanças teus raios.
As Duas Terras estão em festa:
Acordadas e atentas sobre os dois pés.
Tu as fizestes levantar.
Lavam os seus membros,
Pegam as suas roupas,
Os seus braços estão em adoração ao seu nascimento.
A terra inteira se põe a trabalhar.
Todo animal goza de sua pastagem.
Árvores e relvas verdejam.
Os pássaros voam de seus ninhos,
Com as asas (em forma de) adoração a tua essência (ka)
Os animais selvagens pulam em seus pés.
Aqueles que vão embora, aqueles que pousam,
Eles vivem quando tu te levantas para eles.
As barcas sobem e descem a corrente
Porque todos os caminhos se abrem quando tu surges.
Os peixes do rio movem-se deslizando em tua direção
Os teus raios chegam ao fundo do mar.
Tu que procuras que o germe seja fecundado nas mulheres,
Tu que fazes a descendência nos homens,
Tu que fazes viver o filho no seio de sua mãe,
Que o acalentas para que não chore,
Tu nutriz de quem ainda está no colo,
Que dás o ar para fazer viver tudo o que crias.
Quando cai do colo para a terra o dia do nascimento,
Tu lhe abres a boca para falar
E provês as suas necessidades.
Quando o pintinho está no ovo (loquaz na pedra)
Tu ali dentro lhe dás ao para viver.
Tu o completas para que quebre a casca
E dela sai para piar e completar-se
E caminhe com seus dois pés recém-nascidos.
Quão numerosas são as tuas obras!
Elas são irreconhecíveis aos olhos (dos homens)
Tu, Deus único, afora de tu nenhum outro existe.
Tu criaste a terra ao teu desejo,
Quando tu estavas só,
Com os homens, o gado, e todos os animais selvagens.
E tudo o que dá sobre a terra - e anda sobre seus pés -
E tudo aquilo que está no espaço - e voa sobre suas asas.
E os países estrangeiros, a Síria, a Núbia, e a terra do Egito.
Tu colocaste todo homem em seu lugar
Proveste as suas necessidades
Cada um com o seu alimento
E é contada sua duração em vida.
As suas línguas são ricas de palavras,
E também seus caracteres e suas peles.
Tens diferenciado os povos estrangeiros.
E feito um Nilo Duat (isto é, o mundo subterrâneo)
Leva-o aonde queres para dar vida às pessoas,
Assim como tu as criaste.
Tu, senhor de todas elas,
Que te cansas por elas,
Ó Aton do dia, grande em dignidade!
E todos os países estrangeiros e distantes,
Tu fazes que também eles vejam.
Puseste um Nilo no céu que desce para eles (isto é, a chuva)
E que faz ondas sobre os montes como um mar
E banha seus campos e suas regi&otiilde;es.
Quão perfeitos os teus conselhos todos,
Ó Senhor da eternidade!
O Nilo do céu é teu (presente) para os estrangeiros
E para todos os animais do deserto que caminham sobre os pés:
Mas o Nilo verdadeiro vem de Duat para o Egito.
Os teus raios trazem a nutrição para todas as plantas;
Quando tu resplandece, elas vivem e prosperam para ti.
Tu fazes as estações
Para que se desenvolva tudo o que tu crias:
O inverno para refrescá-las,
O ardor para que te degustem.
Tu fizeste o céu distante
Para brilhares nele
E para ver tudo, tu único
Que resplandeces forma de Aton vivo,
Nascido é luminoso, distante e (também vizinho.
Tu apresentas milhões de formas de ti, tu único:
Cidades, povoados, campos, caminhos, rios.
Todo olho vê a ti diante de si
E tu és o Aton do dia sobre (a terra).
Quando te afastas
E (dorme) todo olho do qual criaste a visão
Para não te ver sozinho.
(e não se verá mais) o que tu criaste,
Tu estás (ainda) no meu coração.
Não há nenhum outro que te conheça
Exceto o teu filho Nefer-kheperu-Rá Ua-en-Rá
Tu fazes com que ele seja instruído em teus ensinamentos e em teu valor.
A terra está em tua mão
Como tu a tens criado.
Se tu resplandeces, eles vivem,
Se tu te pões no horizonte, eles morrem;
Tu és a própria duração da vida.
E se vive de ti.
Os olhos vêem beleza, enquanto tu não te pões.
Deixa-se todo trabalho quando tu te pões à direita (isto é, no Ocidente).
Quando tu resplandeces, dás vigor ao rei,
E agilidade para todos
Desde quando fundaste a terra.
Tu te levantas para o teu filho
Que saiu do teu corpo
O rei do Vale e do Delta que vive da verdade,
O Senhor dos Dois Países Nefer-kheperu-Rá
O filho de Rá que vive da verdade,
O Senhor das coroas Akhenaton
Sublime de duração de vida:
E da grande esposa real, a senhora dos Dois Países Nefer-neferu-Aton Nefertite
Viva, jovem para sempre na eternidade."

...Pequena homenagem ao Filho do Sol egípcio – Akhenaton...

Amarna é o nome egípcio da cidade do Sol, Akhetaton, construída por Akehnaton, o faraó Filho do Sol, que foi esposo da bela sacerdotisa do Templo do Sol, Nefertiti, e tentou implantar o moniteísmo no Egito, tendo como único deus Aton, o Disco Solar.

O Império Amarniano, se podemos chamar assim, nos seus últimos seis anos foi repleto de realizacoes e unificou as cidades do Baixo Egito. A Núbia, a terra de Kush e a terra de Canaa tambem estavam com Akehnaton, que recobrou o animo para receber a inspiracao divina. Nesse período, ele compos o seu belo Hino a Aton. En determinada manha ensolarada da estacao da colheita (Shema), o faraó dirigiu-se para “A Janela das Aparicoes”, e recitou para o povo, com emocao, o belo Hino a Aton. O Hino a Aton desenrola-se por várias páginas.Transcrevo aqui dois trechos...

...o primeiro, a meu ver, revela o poder do faraó e a grandiosidade do projeto espiritual de Akhenaton....
“Quando Tu te ergues,
Tu fazes crescer todas as coisas para o faraó;
O movimento apodera-se de tudo,
Tu poes em ordem o Universo,
Tu o fazes surguir para o teu filho Akhenaton,
Saído do teu Ser,
O rei do Alto e do Baixo Egito,
Vivendo da Harmonia Universal,
O mestre do Duplo País,
Filho de Rá,
Que vive da Harmonia Universal,
Senhor das duas coroas,
Akhenaton.
Que a duracao de sua vida seja grande!
Que a sua grande esposa, que ele ama,
A dama do Duplo País,
Nefertiti,
Viva e rejuvenesca
Para sempre, eternamente.”
...no segundo a energia solar masculina mostra sua complementariedade com a energia feminina, e pra mim tambem tem um toque de (re)nascimento espiritual...

“Tu fazes com que nasca o fruto nas entranhas das mulheres.
Tu produzes a semente no homem,
Tu dás vida ao filho no seio maternal,
Tu o apaziguas no seio da mae que o nutre.
Mas Tu és a verdadeira ama-de-leite,
Daquele que ainda se abriga no seio;
Tu dás constantemente o seu sopro
Para dar vida a toda criatura.
No momento em que a criatura deixa a matriz para respirar,
Tu lhe abres a boca completamente,
Tu lhe ofereces aquilo que é necessário.
O passarinho está em seu ovo,
A pevide está em sua casca,
Tu lhe dás o sopro lá do interior
Tu lhe dás a vida.
Tu ordenaste para ele
Um tempo de gestação medido com rigor,
Tornando-o completo;
Ele rebenta sua casca por dentro,
Ele sai do ovo,
No instante fixado,
Ele sai e marcha sobre seus pés.”

o filósofo Frederico Nietzshe (1883) escreveu a primeira parte de "Assim falava Zaratustra" e na primeira página ele assim se expressou:
"Aos trinta anos apartou-se Zaratustra da sua pátria e do lago da sua pátria, e foi-se até a montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu espírito e da sua soledade sem se cansar. Variaram, porém, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo-se com a aurora, pôs-se em frente do sol e falou-lhe deste modo: "Grande astro! ...

Quisera dar a repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres da sua riqueza.
Por isso devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpões o mar para levar a tua luz ao mundo inferior.
Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir.
Abençoa-me, pois, olho afável, que podes ver sem inveja até uma felicidade demasiado grande!
Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela manem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria!"

SOB O SIGNO DA RODA DE FOGO

Expositor: Virgília Ribeiro Peixoto

"A vivencia do curso diário do Sol aparece refletida nos mitos através de símbolos diversos: O carro do Sol, como veículo, é puxado por cavalos de fogo; a ave Garuda transporta a Suria ou aos deuses solares por encima do céu, e os antigos soles alados enlazan este "vuelo" del astro com la ruta que recorren suas rayos. En otras partes, a roda solar é a la vez símbolos del curso de las estaciones y del Sol mismo.

Los puntos que correspondem a los solsticios hiemales y estivales son señalados mediante piedras y altares sagrados, a fin de asegurarse los favores del dios Sol e incitarlo a que vuelva. Los lugares consagrados a su culto están generalmente dirigidos hacia levante. Asi, en el templo de Abu Simbel (antes de su traslado), a mediados de febrero y de octubre, um rayo se filtraba al amanecer por la entrada y recorria una distancia de 54 metros hacia el interior, iluminando las estatuas de Ramsés y de Amón. Y cuando el Sol se dirigia por la montaña de Occidente hacia Amenti, el reino de los muertos del antiguo Egipto, permanecía alli, invisible para los vivos, en la barca del Sol y sobre el Nilo infenal, alumbrando a los habitantes del reino de Osiris. Es así como el mito ilustra el eterno curso de la luz". 1

Nas regiões entre os dois trópicos do planeta Terra estamos situados, e sobre esta área geográfica real uma outra geografia coexiste, a geografia mítica. Durante algum tempo estamos a fazer leitura sobre o comportamento simbólico do homem através de suas manifestações em torno dos fenômenos da natureza em várias civilizações das mais arcaicas às atuais. Uma dessas leituras diz respeito ao simbolismo solar.

Revendo estas leituras, percebemos que há uma relação das hierofanias solares com as áreas geográficas ditas tropicais. Sobretudo, nas leituras dos textos sobre Mitologia e Religiões de Mircea Eliade. Ele estudou as manifestações dos cultos solares determinando-as por áreas geográficas reais. Senão vejamos:

"Hierofanias solares e racionalismo". - Acreditou-se outrora, nos tempos heróicos da história das religiões, que a humanidade sempre conhecera o culto do Sol. Os primeiros ensaios de mitologia comparada descobriam vestígios dele por toda a parte. No entanto, a partir de 1870, um etnólogo tão notável como A Bastian observava que esse culto solar não se encontra, de fato, senão em raras regiões do globo. E meio século mais tarde, Sil James Frazer, retomando o problema no quadro das suas pacientes pesquisas sobre a adoração da Natureza, notará 2 a inconsistência dos elementos solares em África, na Austrália na Melanésia, na Polinésia, e na Micronésia. A mesma inconsistência se verifica, com algumas exceções, nas duas Américas. Foi só no Egito, na Ásia e na Europa arcaica que aquilo a que se chamou o "culto do Sol" gozou de um favor que pôde adquirir, no momento oportuno - no Egipto, por exemplo - um verdadeiro predomínio.

Se se tiver em conta que, além-Atlântico, o culto solar se desenvolveu unicamente no Peru e no México, quer dizer, entre os únicos povos americanos "civilizados", e que atingiram o nível duma autêntica organização política, não se poderá deixar de distinguir uma certa concordância entre a supremacia nas hierofanias solares e os destinos "históricos". Dir-se-ia que o Sol predomina nas regiões onde, graças aos reis, aos heróis, aos impérios, "a história se encontra em marcha". 3

Olhando o Mapa Mundi verificamos que as regiões citadas por Eliade estão situadas nas áreas tropicais. Nestas áreas e, em diferentes épocas, o culto solar foi expressado em formas variadas e momentos da vida do homem.

A presença do sol em nossas vidas está assim registrada desde o tempo mítico. Regiões míticas, e tempos míticos são cósmicas portanto, são infinitas e desconhecidas.

Porém, fazendo uma ligação do mítico com o real, indagamos: não é sob o domínio da grande roda de fogo que o tempo é regido? Os dias e as noites? O calendário cronológico, o calendário astrológico, os relógios?

Só "existem" porque a grande roda de fogo faz sua viagem no território uraniano (celestial).

Na vida moderna poucas vezes ou nenhuma vez o homem reflete sobre esta energia. Apesar de saber que sem ela não viverá.

As civilizações modernas tentaram abolir os mitos, os símbolos e a imaginação em defesa da razão do racionalismo, e com esta atitude o homem perdeu o caminho. Nesta profanação as imagens foram reprimidas no fundo do poço do inconsciente coletivo. O homem porém insatisfeito busca uma resposta e é, através de movimentos religiosos, filosóficos, que os cultos dos deuses e o retorno do simbolismo reaparece, explicando o movimento religioso da ioga e na filosofia de Gilbert Durand, Gaston Bachelard, Jung, Freud e outros.

Por se estar tratando no momento do símbolo solar, é especificamente sobre este que mais falaremos. Outros símbolos sobre a terra, o firmamento, a lua, as estrelas, a água, o fogo, a criação do mundo, pedem urgente revisão e reflexão, sobretudo para os estudos de Ecologia em geral, Psicanálise e ciências afins.

O diálogo homem e sol é um dos belos espetáculos do nosso universo! Desde os mitos sobre o nascimento do sol, às lendas e imagens psíquicas, até os estudos científicos de Isac Newton e Einstein.

O simbolismo sobre o sol é vasto e se reveste de uma importância tal que, inúmeros documentos têm sido produzidos sobre o mesmo. O simbolismo do sol com o poder e a glória, está estritamente ligado aos grandes impérios de civilizações tropicais, relembremos aqui as figuras dos faraós do Egito, dos deuses astecas, dos Incas, da Índia, da Mesopotâmia, das regiões tropicais asiáticas. Há uma relação dos cultos solares com uma infinidade de manifestações simbólicas nas quais o sol é ser supremo e de cuja casa fazem parte os imperadores e famílias reais.

O "regime diurno do espírito" é dominado pelo simbolismo solar. Enquanto a lua é símbolo da "imagem noturna do espírito".

Eliade,4 fala da solarização dos seres supremos, e, explica: "na região indo-mediterrânica - este fenômeno foi observado, na substituição da figura suprema Uraniana (céu, firmamento) por um Deus atmosférico e fecundador, esposo muitas vezes ou simplesmente cólito, subordinado, da grande-mãe, telúrico-lunar-vegetal, e por vezes, pai dum "deus da vegetação".

Assim, pois, a solarização progressiva das divindades celestes corresponde ao mesmo processo de erosão que conduziu, em outros contextos, à transformação destas divindades celestes em deuses atmosféricos-fecundadores.

Esta conjunção dos elementos solares e vegetais explica-se evidentemente pelo papel extraordinário do soberano, tanto no plano cósmico como no plano social, na acumulação e na distribuição da "vida".

É assim que as camadas arcaicas das culturas primitivas (ágrafas) denunciam já o movimento de transferência dos atributos do deus uraniano para a divindade solar. O arco-íris, tido em tantos lugares por uma epifania uraniana (celestial), acha-se associado ao sol e torna-se - para alguns - o irmão do sol.

Para os Pigmeus Semang, os Fugeanos e os Boschimanes, o sol é o "olho" do deus supremo.

A solarização do ser supremo uraniano é também, um fenômeno bastante freqüente em África.

Os Kaffa chamam Abo ao ser supremo, o que quer dizer ao mesmo tempo "Pai" e "Sol" e incorporam-no ao Sol.

Em compensação, o demiurgo solar apodera-se daquilo a que maior parte dos deuses solares, que se substituíram ao ser supremo celeste ou com eles se fundiram não conseguiram obter: a atualidade na vida religiosa e no mito. Bastará lembrar o lugar capital desempenhado pelo corvo na mitologia norte-americana e pela águia - substitutos ou símbolos do Sol - na mitologia ártica e norte-asiática.

No estudo do simbolismo solar encontram-se os que cultuam a descendência solar da humanidade. Por exemplo na ilha de TIMOR, alguns chefes intitulam-se de resto "os Filhos do Sol" e pretendem descender diretamente do deus solar.

Os Korkus da Índia, julgam-se saídos da união do Sol e da Lua. 3

No entanto, na Austrália, as relações entre o homem e Sol são suscetíveis, num outro plano, duma segunda validação, a saber, a identificação do homem com o Sol através do cerimonial da iniciação. O candidato, que pinta a cabeça de vermelho, arranca os cabelos e a barba. Sofre uma "morte" simbólica e renasce no dia seguinte ao mesmo tempo que o sol. O sol torna-se assim o protótipo do "morto" que ressuscita cada manhã. Deriva desta valorização do Sol em deus "herói" que sem conhecer a morte (como a conhecia por exemplo a Lua), atravessa cada noite o império da morte e reaparece no dia seguinte, ele próprio eterno, eternamente igual a si mesmo.

Mas é na cultura egípcia que se percebe com grande intensidade a dominação do mito solar. Desde a época antiga o deus solar tinha absorvido diversas divindades, tais como Atum, Hóruns, e o escaravelho Khipri. 6

A partir da V dinastia o fenômeno generaliza-se: fundindo-se com o sol as figuras de Chnuen - Rá, Min-Rá e Amor-Rá. . .

Há uma supremacia de Rá. Segundo Eliade7 "dois fatores contribuíram, de maneira capital, para esta supremacia a teologia hieropolitana e a mística da soberania, sendo o próprio soberano identificado como o sol".

O nascer do sol e o pôr do Sol no Egito na época dos faraós significavam: "O sol punha-se no campo das Oferendas ou Campo do Repouso para se levantar no dia seguinte no ponto oposto da abóboda celeste chamado Campo das Canas. Estas regiões recebiam atribuições funerárias e dependiam do deus Rá para guiar as almas dos faraós até o sol. A alma do faraó partia do Campo das Canas (Oriente) ao encontro do Sol na abóboda celeste, para chegar, guiada por ele, ao Campo das Oferendas, (vence o touro das Oferendas) e tem direito de se instalar no Céu".

Rá é o deus sol, deus funerário aristocrático.

No Egito o sol permanecerá sempre como salvador de uma classe privilegiada (a família do soberano).

Na Babilônia o culto solar permite que se reconheça nele vestígios de relações muito antigas com o além. Shamash é chamado o "Sol" de "Timmê" quer dizer dos Manes, diz-se dele que "faz viver um morto".

Na Grécia e na Itália, o Sol ocupou um lugar tão só de segundo plano. Em Roma, o culto solar foi introduzido em tempos do império através de influências orientais e se desenvolveu de forma exterior e artificial, graças ao culto dos Imperadores. O mito de Hélios revela não só as valências ctónicas e infernal. É também simbolizado com Titan, energia geradora. Também simboliza com as trevas: a feitiçaria e o inferno.

A polaridade luz - obscuridade, pôde pois ser apreendida como as duas fases alternantes de uma única realidade.

Na Índia o culto solar é também de um simbolismo ambivalente. Chamam-no de Sûrya e teve sempre um papel de segunda categoria, mesmo assim o Rig Veda consagrou-lhe dez hinos, chamam-lhe o olho do céu ou olho de Mitras e de Varuna. Ele vê ao longe, é "o espião" do mundo inteiro. O sol nasceu do olho do gigante cósmico, de modo que na morte, quando o corpo e a alma do homem entra no macrantropo cósmico, o seu olho volta para o sol. Ele é também Savitri, ele é imortal, e em certos textos ele confere imortalidade aos deuses e aos homens.

Savitri ou o Sol é do mesmo tempo percebido sob os aspectos tenebrosos. Ora ele é "resplandecente" ora é "negro" (quer dizer invisível). Savitri traz tanto a noite como o dia, e ele próprio é um deus da noite.

As heranças do culto solar conservadas nas tradições populares. - Numerosas heranças do culto solar têm-se conservado, mais ou menos integradas em outros sistemas religiosos. Rodas de Fogo que se fazem descer das alturas, nos solstícios, em especial no último dia do Verão; procissões medievais de rodas transportadas em carros ou em barcos e cujo protótipo se perde na pré-história; o costume de amarrar homens a rodas, (por exemplo, por ocasião da Caça Fantástica) 8 proibição ritual de se fazer uso da roda em certas noites do ano (por ocasião do solstício do Inverno), outros costumes ainda vivos nas sociedades camponesas européias (Fortuna, a "roda da fortuna", a "roda do ano".

Nos cerimoniais europeus, o lançamento de rodas em fogo por ocasião dos solstícios, assim como outros usos semelhantes, desempenha provavelmente também uma função mágica de restauração da energia solar ou das forças solares. Com efeito, nas regiões do Norte, a redução crescente dos dias à medida que se aproxima o solstício do Inverno, inspira o temor de que o sol possa desaparecer, se extinguir.

O medo e o temor do desaparecimento do sol, é um tema encontrado em culturas diferentes: - Carl Gustav Jung quando visitou o Novo México viveu a seguinte experiência:

"Estava sentado no terraço, em companhia de Ochwiay Biano enquanto o Sol se elevava, cada vez mais brilhante. Apontando-o, ele me disse: 'Então não é nosso Pai, aquele que se ergue no céu? Como negá-lo? Como poderia existir um outro Deus? Nada pode existir sem o Sol' Sua excitação, que já era visível, foi aumentando. Buscava palavras e por fim exclamou: 'O que pode fazer um homem sozinho nas montanhas? Sem Ele não pode nem ao menos acender o fogo!' "

Perguntei-lhe se não pensava que o Sol era uma bola de fogo, formada por um deus invisível. Minha pergunta não suscitou espanto e muito menos desagrado. Simplesmente deixou-o indiferente. Tive a impressão de esbarrar num muro intransponível. A única resposta que obtive foi: "O Sol é Deus; todos podem ver isso!".

Ninguém pode se furtar à poderosa impressão que o Sol causa; no entanto, assistir a esses homens maduros, extremamente dignos, tomados de uma emoção irreprimível ao falar do Sol, foi para mim uma experiência nova, que me tocou profundamente.

Percebi, devido à sua agitação, que se referia a um elemento muito importante de sua religião. Então, perguntei-lhe: "O senhor acredita que suas práticas religiosas sejam de proveito para todo o mundo?" Ele respondeu com muita vivacidade: "Naturalmente, se não o fizéssemos, o que seria do mundo?" E, com um gesto carregado de sentido, apontou o Sol.

Senti que havíamos chegado a um ponto muito delicado, no tocante aos mistérios do clã. "É preciso lembrar que somos um povo - disse - que permanece no teto do mundo; somos os filhos de nosso deus o Sol, e graças à nossa religião ajudamos diariamente nosso Pai a atravessar o céu. Agimos assim, não só por nós mesmos, mas pelo mundo inteiro. Se cessássemos nossas práticas religiosas, em dez anos o Sol não se ergueria mais. Haveria uma noite eterna". Compreendi, então, sobre o que repousava a "dignidade", a certeza serena do indivíduo isolado: era um filho do Sol, sua vida tinha um sentido cosmológico: não assistia ele a seu Pai - que conserva toda vida - em seu nascente e poente cotidianos? Se compararmos a isso nossa autojustificação, ou o sentido que a razão empresta à nossa vida, não podemos deixar de ficar impressionados com a nossa miséria. Precisamos sorrir, ainda que de puro ciúme, da ingenuidade dos índios e nos vangloriarmos de nossa inteligência, a fim de não descobrirmos o quanto nos empobrecemos e degeneramos. O saber não nos enriquece; pelo contrário, afasta-nos cada vez mais do mundo mítico, no qual, outrora, tínhamos direito da cidadania. 9

O índio Pueblo preserva o sol para toda a humanidade!!!

Em outras regiões acontece que este estado de alarme se traduz em visões apocalípticas: a queda ou obscurecimento do sol são tidas como sinais do fim do mundo.

Nos livros de Apocalipse e do Apocalipse da Bíblia, as citações sobre o sol são inúmeras, o simbolismo do mesmo é vasto. E Salomão na sua sabedoria já escrevia "Vaidade das Vaidades, tudo Vaidade, nada há de novo no mundo, nada há de novo debaixo do sol".

E, o filósofo Frederico Nietzshe (1883) escreveu a primeira parte de "Assim falava Zaratustra" e na primeira página ele assim se expressou:

"Aos trinta anos apartou-se Zaratustra da sua pátria e do lago da sua pátria, e foi-se até a montanha. Durante dez anos gozou por lá do seu espírito e da sua soledade sem se cansar. Variaram, porém, os seus sentimentos, e uma manhã, erguendo-se com a aurora, pôs-se em frente do sol e falou-lhe deste modo: "Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas? Faz dez anos que te abeiras da minha caverna, e, sem mim, sem a minha águia e a minha serpente, haver-te-ias cansado da tua luz e deste caminho.

Nós, porém, esperávamos-te as manhãs, tomávamos-te o supérfluo e bem-dizíamos-te

Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha que acumulasse demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim. Quisera dar a repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres da sua riqueza.

Por isso devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza quando transpões o mar para levar a tua luz ao mundo inferior. Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir.

Abençoa-me, pois, ôlho afável, que podes ver sem inveja até uma felicidade demasiado grande!

Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela manem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua alegria!" 10

Mas, nem todos os filósofos se pronunciaram amigos do Sol, e Mircea Eliade afirma sobre o que restou do culto solar: "Mas, de maneira geral, já não temos aí senão uma pálida imagem do que outrora significaram as hierografias solares, pálida imagem que chega até nós cada vez mais desbotada pelo racionalismo. Os últimos 'eleitos', os filósofos, conseguiram assim desacrilizar uma das mais poderosas hierofanias cósmicas." 11

Parece que a Psicologia profunda, e a Psicanálise têm procurado interpretar nos desenhos de pessoas adultas (sadias, e doentes mentais) e em crianças a projeção do desenho do sol como um símbolo da paternidade. Sobretudo nos desenhos de crianças e adolescentes, percebe-se um interesse constante em representar o sol, a lua, as estrelas.

Os índios brasileiros dizem que o sol é perseguido pela noite:

"Faz muito tempo, a noite morava em uma cabaça custodiada por uma serpente. Alguém abriu a cabaça na festa de um casamento e assim a noite escapou. O pobre sol tem estado correndo sempre desde então". 12

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ELIOT, Alexander et alii. Mitos. Barcelona Editorial Labor S. A. 1976. (pgs. 90-98) nº pgs. 315.
2. FRAZER, James, The woechip of Nature, p. 441. Apud in ELIADE, Mircea. Tratado das Religiões. pg. 161.
3. ELIADE, Mircea. Tratado de História das Religiões. Lisboa, Edições Cosmos, 1970 pg. 551 (pg. citada - 161).
4. FRAZER, James. La Roma Dourada, pg. 658 5. FRAZER, James. Apud. pg, 616

A festa de Inte Raymi, festa ao Sol inca

Nas concepções mágicas dos incas, o céu e a terra estão sempre estreitamente associados, suas influências se completam harmoniosamente. A* festa de Inte Raymi, apresentava, em associação com o culto prestado ao Deus Sol, com as características de uma festa da fecundidade.*

Cristóvão Molina descreve uma das cerimônias a que assistiu. Os ritos possuem notável simbolismo e mística primitiva de caráter telúrico. Estas festividades que duravam uma semana, marcavam, cada ano, o início dos trabalhos nos campos.

Desenrolavam-se a princípio no recinto do templo do Sol, e daí, a seguir, chegavam às províncias do império.

Antes do alvorecer, uma procissão, com as imagens dos deuses e as múmias, eram carregadas às costas de homens, que dirigiam-se para o vale situado a leste de Cuzco. Um dossel feito de plumas reunidas abrigava cada efígie; a trinta passos de distância, um grupo de nobres, membros das principais famílias da cidade, escoltava as imagens. Só participavam dessa festa os membros do clã do Sol, os próprios caciques eram excluído dela. Para a ocasião, os dignitários vestiam trajes esplêndidos: túnicas de lã de vicunha, mantos bordados de ouro e prata, etc. Braceletes luziam-lhes nos punhos e tornozelos e, sobre seus "Ilautos", emblema distintivo do clã do Inca, cintilava um disco de ouro, insígnia de sua raça.

Chegados ao adro sagrado, os carregadores depunham as imagens, de rosto voltado para o ponto do céu em que o Sol iria erguer-se, depois, enfileiravam-se de um e outro lado do Inca, cada um segundo o posto e o lugar que ocupava na hierarquia, o soberano estava sentado um pouco à frente, num trono baixo, esculpido e dourado, o "tiyana".

Em silêncio, os assistentes esperavam o aparecimento do "puncha Inca", o "Senhor do dia", isto é, o Sol.

Logo que os primeiros raios acariciavam o cume das montanhas, o Inca se colocava a frente para os nobres e entoava o hino de Inti. Depois, sentava-se no tiyana e os espectadores repetiam em coro o canto sagrado, cujo ritmo se acelerava à medida que o Sol se elevava no horizonte, ao mesmo tempo, inclinavam-se e levantavam-se alternativamente, de olhos fitos no astro que subia sobre os cumes.

No decorrer da manhã, duzentas nustas vinham de Cuzco, trazendo cada uma um cântaro de chica e um ramalhete de folhas de coca. Coroada de flores, como as sacerdotisas de Ceres, entravam em fila de cinco no adro em que se iam realizar os sacrifícios. Sob um cedro, avermelhava-se um braseiro, em que os servidores lançavam os cordeiros imolados.

À tarde, efetuavam-se múltiplas cerimônias. Depois ao se aproximar o entardecer, os cantos alegres eram substituídos por tristes e melancólicas melopéias, enquanto o Sol desaparecia por trás dos cimos da cordilheira. Os assistentes erguiam as mãos para o céu, em sinal de súplica e se prosternavam para adorar o astro evadido.

Escoltadas pelos nobres, as imagens e as múmias dos Incas, voltavam então para a Inti-huasi.

Ao fim do dia, traziam pás ao campo do Sol e eram de puro ouro. O Inca Capac tomava uma e trabalhava a terra de Coe Campata. Depois dels, todos os grandes de Cuzco faziam o mesmo. Abria-se assim a estação dos trabalhos agrícolas.

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Rumi