A seguir Links com temas básicos de Astronomia que enriquecem os conceitos desenvolvidos nesta página:
http://www.achetudoeregiao.com.br/Astronomia/meio_interestelar.htm
http://lfpontes.planetaclix.pt/ast_p.html
http://www.sab-astro.org.br/cesab/newhtml/SSolar.html
http://astro.if.ufrgs.br/
http://www.calendario.cnt.br/AFINS/Calendar400.htm
Maquete do sistema solar em português
Maquete nos Estados Unidos, fotos das esculturas dos planetas
Esta página contém o básico das Leis de Kepler. Movimento de translação e rotação da Terra. Ciclo das Estações. Movimento de precessão. o site contem outras informações dê uma olhada.
Coordenadas Terrestres
Pontos cardinais:
O giro diário da Terra em torno de um eixo, determina o Eixo Norte-Sul e naturalmente o eixo perpendicular chamado de Leste-Oeste. Constantemente dá para perceber o Sol, Lua e estrelas nascendo pelo Leste e se pondo pelo Oeste. Assim o eixo Leste - Oeste seria a direção mais fácil de ser percebida. Estes eixos determinam a
Cruz Cardinal ou a chamada "Rosa dos Ventos" que serve para se orientar na superfície da Terra.
Gnomo. Determinação do eixo norte e sul geográfico pelo Gnomo sem precisar da referencia do Leste.
O Gnomo é um instrumento muito simples que permite orientação sem depender da observação do céu, a bússola indica a direção Norte-Sul magnética, que geralmente não coincide com a geográfica e ainda varia no tempo e no espaço (os pólos magnéticos da Terra não coincidem com os geográficos, nem são fixos). No Brasil, em determinadas áreas a diferença entre as direções Norte-Sul magnética e Norte-Sul geográfica pode chegar, por exemplo, a 20º. Mas existem mapas que informam essa diferença e sua variação no tempo, o que permite encontrar a direção Norte-Sul geográfica a partir da indicação da bússola. Em algumas situações, é suficiente considerar a orientação da agulha como aproximação da direção Norte-Sul geográfica, noutras, envolvendo cálculos de engenharia ou navegação, por exemplo, erros de 20º são demasiados.
O que fazer? Coloque um pau de dois metros em um lugar ensolarado. Desenhe no chão um mínimo de dois círculos com rádios diferentes em meio metro.
Iniciar a observação da sombra pela manhã. Trace uma linha quando a sombra da vareta chegar na borda dos círculo traçado. À tarde, quando a sombra voltar a tocar cada uma das circunferências, riscam-se novamente os raios. Assim, ângulos são determinados, um mais aberto (formado pelos raios maiores) e outro mais fechado (formado pelos raios menores). A linha que divide esses dois ângulos ao meio é a direção Norte-Sul geográfica. A direção Leste-Oeste é indicada por uma linha que também passa pelo “pé” da vareta, mas é perpendicular à direção Norte-Sul. Essas duas linhas devem ser riscadas no chão. Se uma rosa-dos-ventos for colocada no cruzamento dessas linhas, com o Leste apontando para o lado em que o Sol nasce, então, fica fácil indicar os sentidos Leste, Oeste, Norte e Sul.
Orientação pelo Cruzeiro do Sul no Hemisfério Sul
Identificada a constelação no céu do hemisfério Sul, prolongar imaginariamente o braço maior quatro vezes o seu comprimento na direção indicada.
Orientação pela Estrela Polar no Hemisfério Norte
Ela é vista só no Hemisfério Norte. O Céu do Norte gira em torno dela.
Orientação pela bússola.
A agulha magnética indica o eixo magnético da Terra, indicando o Norte e o Sul magnético..
Eixo da Terra
Linha imaginária em torno do qual gira a Terra. Ele define em seus extremos o polo norte e o polo sul. De pólo a pólo tem 12 713 km. Vista desde o hemisferio norte a Terra gira em sentido anti-horário, desde o hemisfério sul, gira em sentido horário.
Direção Norte
Existem 4 Nortes diferentes.
A bússola eletrônica de um GPS e alguns modelos de bússolas eletrônicas, (se assim configuradas) podem apontar para o Norte, pois elas podem se orientar por uma rede de satélites.
Já as bússolas magnéticas (e uma boa parte das eletrônicas), não. Aliás, antes disso, devemos entender que existem mais de um Norte.
- Norte Verdadeiro (TN) - Posição geográfica da intersecção do eixo de rotação da terra, com a superfície no hemisfério Norte. Este é o Norte Geográfico.
- Norte Astronômico (AN) – Aponta para a estrela Polar visível no hemisfério Norte. Tem um desvio de aproximadamente 0.7º em relação ao Norte Verdadeiro
- Norte Magnético (MN) – Ponto de convergência das linhas do campo magnético da terra. Tem um desvio de 10º para Leste.
- Norte da Bússola (CN) – É a direção da reta tangente à linha do campo magnético da localidade. Complicado? Bem a explicação mais simples, é a seguinte, As linhas de um campo magnético são curvas, como naqueles ímãs dos livros de segundo grau. Mas para piorar, no caso da Terra, elas são tortas, e a agulha da bússola se mantém alinhada com esta linha de campo. Os erros podem variar de 0 até algo perto de 35º, muda com a latitude, longitude, altitude, e com a ocorrência de anomalias magnéticas. (???) Calma, no texto sobre uso de bússolas, vamos entender isso direitinho.
Equador terrestre
Linha circular imaginária que divide a Terra em duas metades iguais, os dois hemisférios. Hemisfério norte, boreal ou setentrional e Hemisfério sul, austral ou meridional. Tomando o equador como zero grau os polos estariam a 90º.
Paralelos
São circunferências traçadas paralelas ao Equador. Os principais definidos para descrever o clima da Terra são 4: Trópico de Câncer (norte) e de Capricórnio (sul) e Círculo Polar Ártico (norte) e Antártico (sul).
Os trópicos são traçados a uma distância de 23º 27m (inclinação do eixo da Terra)
Os círculos polares distam 23º 27m dos pólos.
Para usar como coordenadas terrestres os paralelos são traçados a cada 15º a partir do Equador, na direção norte e sul. A coordenada determinada por paralelos se lhe chama latitude (distância do lugar ao Equador).
Latitude:
No sistema de coordenadas angulares, o
ângulo “vertical” entre o equador e o paralelo que passa sobre o ponto. Se o ponto está ao
Norte do Equador, tem latitude
positiva. Se estiver ao
Sul do Equador, tem latitude
negativa. Por exemplo São Paulo encontra-se a - 23º 33m. ou a 23º 33 de latitude Sul.
Meridianos
São círculos que ligam os pólos através da superfície terrestre. O meridiano que passa por Greenwich, Inglaterra é tomado por zero grau. A partir dele a Terra é divida em meridianos a cada 15º.
Longitude
É a distância angular entre o meridiano de Greenwich e o meridiano que passa sobe o ponto visado. Imaginando-se o planisfério onde a Inglaterra ocupa o centro do mapa,
o que estiver à oeste (esquerda) de Greenwich, tem latitude negativa.
O que estiver à Leste (direita) tem latitude positiva.
Portanto, quase todo o território brasileiro tem coordenadas duplamente negativas -latitude sul e longitude oeste.
Fuso horário
Numa Conferência em Roma em 1883, se optou por dividir a circunferência da Terra (de 360º) em 24 fusos horários de 15º. Toda região situada dentro de um fuso passou a ter uma única hora, que é chamada de Hora Legal ou Oficial.
Coordenadas Terrestres.
As coordenadas terrestres estão determinadas pela latitude e longitude do lugar.
Coordenadas celestes:
- equatoriais: Declinação de Ascensão Reta
- eclípticas: Longitude e latitude
- horizontais: Altura e Azimut
- galácticas: Longitude galáctica e Latitude galáctica
Coordenadas equatoriais
Usa-se a mesma idéia das coordenadas geográficas, latitude e longitude.
Imagine a esfera celeste "contendo" a esfera terrestre. Imagine a rede paralelos e meridianos terrestres projetados na esfera celeste.
A
Esfera celeste é uma esfera imaginária onde se inserem os corpos celestes, para se definirem as respectivas posições.
Os
equivalentes celestes da longitude (sob o equador terrestre) e latitude terrestres são a ascensão reta (sob o equador celeste) e a declinação.
- O equador terrestre, projetado para o firmamento, gera o equador celeste.
- O eixo de rotação da Terra, prolongado, forma os pólos celestes.
- A linha no céu que vai do pólo norte ao pólo sul celeste e que passa, lá na esfera celeste, sobre a cabeça de um determinado observador, constitui o meridiano local deste observador (o Sol está no meridiano ao meio-dia, em latim meridies - daí o nome). Podemos entender o meridiano celeste como a projeção do meridiano terrestre, linha da longitude local projetada no firmamento.
Para
a origem da longitude (terrestre), se estabeleceu, por convenção, a longitude de Greenwich como longitude zero.
No céu estabelece-se um determinado ponto entre as estrelas, chamado
ponto vernal ou ponto gama, como origem. Esse ponto corresponde
a intersecção do Sol (eclíptica) com o Equador celeste no instante em que o mesmo passa do hemisfério sul para o norte celeste.
Na superfície da Terra para determinar a posição de um ponto temos que conhecer a longitude (meridiano) e a latitude. A latitude é uma circunferência paralela ao equador terrestre na direção norte ou sul. Conveniu-se latitude zero no equador terrestre.
Da mesma forma projeta-se os paralelos da Terra, incluindo o equador terrestre no seu meio, para a esfera celeste, definindo paralelos celestiais e o equador celeste. A latitude terrestre equivale a declinação.
Define-se como
declinação (delta) de uma estrela ou planeta, ao ângulo entre o equador celeste e a estrela ou planeta, medido sobre o meridiano desta. As declinações do hemisfério norte são positivas (+) e as do hemisfério sul são negativas (-). No equador, delta= 0º.
Define-se como
ascensão reta (alfa) o ângulo (medido em horas, minutos, segundos) entre o ponto gama (ponto vernal) e o meridiano da estrela, medido sobre o equador celeste, no sentido para o leste, sentido horário.
Ascensão reta e declinação de uma estrela variam pouquíssimo à medida que passa o tempo. Esta variação somente pode ser detectada com modernos instrumentos de precisão; na antigüidade as estrelas eram chamadas de estrelas fixas por esta razão. No entanto as coordenadas equatoriais dos planetas, do Sol e da Lua variam muito, fato também já conhecido na antigüidade (planeta significa estrela errante).
Constelações e signos
As estrelas significativas para a Astrologia
Diferença entre constelações e signos zodiacais.
Sistema solar
O Sol, a Lua, os planetas e os asteróides na Astronomia.
Cálculo do Mapa natal, outros mapas e tábuas de previsões
Sistemas de divisão de casas. Livro das casas.
Livro de efemérides
Cálculo da posição de um planeta com uso de efemérides.
Fusos horários: Hora Universal, Hora Legal e Hora Local.
Uso de horários de verão.
Coordenadas: localizando pontos na superfície da Terra.
Longitude e Latitude celeste;
Ascensão Reta e Declinação; Altura e Azimute.
Arcos diurnos e noturnos.
Softwares de cálculo astrológico.
Os nódulos lunares, a roda da fortuna e outros pontos arábicos na Astronomia.
Astrologia e Astronomia.
Fonte inspiradora:
http://www.mat.uc.pt/~helios/Mestre/Novemb00/H62astlo.htm
A Astrologia é a arte e ciência do estudo dos astros em relação a vida na Terra, enquanto que a Astronomia é a "ciência que estuda e descreve as qualidades físicas dos astros e as leis físicas validas entre eles.
Os vários modelos para o nosso sistema solar
A natureza caracteriza-se por quatro ciclos expressivos:
- os dias como rotação da Terra em torno de si própria,
- os meses como revoluções da Lua à volta da Terra,
- os anos como revoluções da Terra em volta do Sol.
- as estações da Natureza, como reflexo da inclinação do eixo da Terra em relação ao plano da eclíptica.
Modelos apresentados por astrólogos, filósofos e teólogos para representar o nosso sistema solar.
I:
Sistema de Ptolomeu (c.100-160 d.C.) com a Terra no centro, cercada pelas sete esferas etéreas:
Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno. No plano superior fica a superfície imóvel das estrelas e dos signos do Zodíaco.
II:
Sistema de Platão (427-374 a.C.) colocava* o Sol imediatamente a seguir à Lua*.
III:
Sistema pseudo-egípcio de Vitruvius.
Mercúrio e Vênus descreviam um círculo à volta do Sol e este, por sua vez, tal como os restantes planetas, girava em torno da Terra.
IV+V:
Sistema proposto em 1580 por Tycho Brahe (1546-1601). Parte de dois centros: à volta da Terra, vista como um centro fixo, gira o Sol que por seu turno é o centro de outros planetas.
VI:
Sistema de Copérnico. Em 1543 Copérnico (1473-1543) voltou a colocar o Sol no centro do universo, 1800 anos após Aristarco, .
O modelo geocêntrico foi adotado por teólogos, filósofos e escritores. Na Divina Comédia de Dante (1307-1321), o Inferno encontra-se no interior da Terra; a alma, no seu caminho para Deus, deve subir através do Purgatório, das nove esferas dos planetas, das estrelas e da esfera de cristal, até chegar ao Paraíso.
A construção da carta astrológica. Opção pelo Sistema Geocêntrico.
Na construção da carta astrológica usa-se o modelo geocêntrico, com a Terra no centro do Sistema solar e do Universo. Este sistema reflete a realidade física vista do planeta Terra. O sistema Heliocêntrico mostra o movimento real dos planetas e o geocêntrico o movimento aparente a Terra que é o que importa para a Astrologia. É correto construir a carta astrológica com centro na Terra, porque a idéia é exatamente descrever o posicionamento do Sol, Lua e planetas no zodíaco tropical (eclíptica) vistos desde a Terra.
As efemérides correntes dão as coordenadas do Sol, Lua e planetas na eclíptica vistos desde o planeta Terra.
Exemplo de uma carta natal e os conceitos astronômicos relacionados:
Júlio Verne nasceu em Nantes, em França, no dia 8 de Fevereiro de 1828, pelas 12 horas locais. A hora sideral do seu nascimento é 21 horas e 10 minutos.
Conceito de tempo sideral.
A definição de
Tempo Sideral ou Tempo das Estrelas
está intimamente ligada ao conceito de Dia Sideral.
Dia sideral: intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do meridiano de um lugar da Terra pelo ponto vernal ou de uma estrela qualquer num giro completo da Terra.
Dia solar: intervalo de tempo por duas passagens consecutivas do Sol por um mesmo meridiano da esfera celeste. O dia solar é bastante variável, especialmente devido à órbita elíptica da Terra. Adota-se um dia solar médio que dura 24h exatas.
Estes dois intervalos de tempo não são exatamente iguais, porque enquanto que o Dia Sideral tem como referência um ponto na esfera celeste, que em boa aproximação se pode considerar fixo, o Dia Solar tem como referência o Sol que, graças ao movimento de translação da Terra, tem um movimento aparente de aproximadamente 1º/dia. Daqui resulta que a duração do Dia Sideral seja
menor que a do correspondente Dia Solar em torno de 4 minutos. Ás 24 horas do Dia Solar correspondem 23h56m4s de Dia Sideral.
Mas o que é que tudo isto significa do ponto de vista da Astronomia?!
Os signos do Zodíaco
O movimento de translação da Terra em torno do Sol define um plano ao qual se dá o nome de eclíptica. Com a excepção de Plutão, todos os outros planetas têm o seu movimento de translação praticamente sobre a eclíptica. Visto da Terra, o movimento do Sol, da Lua e dos planetas parece efectuar-se sobre uma estreita faixa do céu. As (outras) estrelas têm a sua posição bem definida no firmamento, e o movimento delas é simultâneo com o movimento de toda a abóbada celeste. Por esta razão, o Sol, a Lua e os planetas eram conhecidos na Antiguidade por "estrelas errantes" ou "estrelas vagabundas". Nesse tempo, era meramente uma questão de criatividade associar heróis da mitologia a constelações formadas pelas estrelas "fixas". As constelações ao longo da faixa onde pareciam mover-se o Sol, a Lua e os planetas receberam uma importância primordial; foram identificadas doze, e mantém ainda o nome que lhes foi dado na Antiguidade, ainda que algumas delas já tenham mudado bastante quer quanto à sua aparência quer quanto à sua posição. São elas as célebres constelações que definem os doze signos do Zodíaco (por curiosidade, refira-se que a palavra Zodíaco deriva da palavra grega zoidiakós que significa tão somente círculo dos animaizinhos). Essas doze constelações, largamente conhecidas, são:
Os doze signos do Zodíaco
^ CARNEIRO – equinócio da Primavera
_ TOURO
` GÉMEOS
a CARANGUEJO – solstício do Verão
b LEÃO
c VIRGEM
d BALANÇA – equinócio do Outono
e ESCORPIÃO
f SAGITÁRIO
g CAPRICÓRNIO – solstício de Inverno
h AQUÁRIO
i PEIXES
Os doze signos do zodíaco servem simplesmente para distribuir entre si os 360 graus do círculo do Zodíaco, ficando cada um dos signos responsável por 30 graus deste círculo. A Primavera entra no momento em que o Sol atinge o grau zero da constelação de Carneiro, ou seja, quando o Sol coincide com o ponto vernal; o Verão, quando o Sol atinge o grau zero de Caranguejo; o Outono, quando o Sol entra em Balança e o Inverno começa no momento em que o Sol atinge o grau zero de Capricórnio.
Para a Astronomia moderna, as constelações não são mais do que "regiões do céu" cujo significado se resume à sua utilidade na catalogação dos objectos celestes. Assim a constelação deixa de ser só constituída pelas estrelas que tradicionalmente definiam uma qualquer figura, mas também por todos os outros astros (estrelas, nebulosas, enxames, galáxias, etc.) que estão incluídos na referida região.
Independentemente de tudo isto, é conhecido que as estrelas não estão fixas. Na realidade elas têm um movimento próprio. O Sol, por exemplo, que está situado a 3 ´ 1018 km do centro da Galáxia, executa um movimento de translação em torno deste centro, com um período de 250 milhões de anos. Além disso é bem sabido que as estrelas não se encontram todas à mesma distância da Terra. A combinação destas duas realidades tem como consequência que as estrelas de uma dada constelação mudem as suas posições relativas e portanto a forma da própria constelação, embora estas mutações só possam ser detectáveis com milhares de anos de espaçamento (cf. figura 5).
Figura 5.
A constelação de Ursae Majoris.
Da esquerda para a direita: há 50.000 anos, hoje e daqui a 50.000 anos. Visão esquemática.
Os nodos lunares e os eclipses
O movimento de translação da Lua em torno da Terra efectua-se num plano que faz um ângulo de aproximadamente 5º com o plano da eclíptica. Da intersecção destes dois planos define-se a "linha dos nodos". Assim, os nodos lunares são as intersecções da órbita da Lua com a eclíptica: nodo ascendente (ou nodo Norte) quando a Lua efectua o seu movimento de Sul para Norte da eclíptica e nodo descendente (ou nodo Sul) quando este movimento tem o sentido de Norte para Sul.
Figura 6.
Os nodos lunares.A linha a tracejado representa a fracção da órbita da Lua que se encontra abaixo do plano da eclíptica. Se a órbita da Lua estivesse sobre a eclíptica teríamos eclipses do Sol e da Lua todos os meses.
A antiga tradição acreditava que um eclipse era provocado por um dragão que devorava o corpo celeste (Sol ou Lua) e que o vomitava em seguida. A cabeça e a cauda desse dragão são a denominação que então se dava aos nodos lunares: a cauda do dragão seria o nodo Sul e a cabeça do dragão seria o nodo Norte (W ).
De facto, os eclipses estão intimamente ligados a esse dragão imaginário, já que se a Lua Nova ocorre enquanto a Lua se encontra sobre a sua cauda (o nodo Sul), há um eclipse do Sol, enquanto que se a Lua Cheia ocorre enquanto a Lua se encontra sobre a sua cabeça (o nodo Norte), há um eclipse da Lua.
Figura 7.
A. Kircher, Ars magna lucis, Amsterdam, 1672.
Tabela de cálculo dos eclipses do Sol e da Lua.
Os astros e seus satélites
Todos os planetas até Saturno eram já conhecidos na Antiguidade. Os seus nomes foram-lhes portanto todos atribuídos nesse tempo. No entanto, nos últimos dois séculos mais três planetas foram descobertos: Urano, Neptuno e Plutão. O significado místico de cada um dos novos planetas ficou associado aos acontecimentos mais importantes para a humanidade, contemporâneos da descoberta do referido planeta.
Significado místico do Sol, da Lua e dos planetas Sol (ou Hélio) o astro rei, o dia;
Lua (ou Selene) irmã de Hélio, a noite;
Mercúrio (ou Hermes) deus da inteligência,
da comunicação;
Vénus (ou Afrodite) deusa do amor, da beleza;
Marte (ou Ares) deus da guerra, da acção;
Júpiter (ou Zeus) deus dos deuses, o protector,
o optimista;
Saturno (ou Cronos) deus supervisor do destino,
o pessimista;
Urano (o Céu) o libertador, o revolucionário;
Neptuno (ou Posidon) deus dos mares, o sonhador;
Plutão (ou Hades) deus do sub-mundo,
o transformador.
* Urano, descoberto em 1781, ficou conhecido como o libertador, o revolucionário porque foi contemporâneo da Guerra americana da independência (1781), da Revolução francesa (1789), da descoberta da electricidade (1780) e ainda da revolução industrial.
* Neptuno, descoberto em 1846, ficou conhecido como o sonhador porque a sua descoberta foi contemporânea da teoria da evolução de Darwin (1846), do manifesto comunista (1848), e ainda da descoberta da anestesia e da hipnose.
* Plutão descoberto em 1930, ficou conhecido como o deus do mundo inferior, já que a sua descoberta foi contemporânea do fascismo, do estalinismo, e do terrorismo internacional.
Existe uma comissão, a nível mundial, encarregada de "baptizar" convenientemente qualquer novo planeta, satélite ou estrela que venha eventualmente a ser descoberto. Por curiosidade, expomos a seguir os vários planetas e respectivos satélites, para que se tenha uma ideia de como tal comissão tem conseguido organizar uma lista de nomes consistentes com a mitologia de cada um dos planetas.
Os planetas do sistema solar e seus satélites Mercúrio 0
Vénus 0
Terra 1 Lua
Marte 2 Deimos, Fobos
Júpiter 17 Io, Europa, Ganimedes, Calisto, Amaltea, Himalia, Elara, Pasifae, Sinope, Lisitea, Carme, Ananke, Leda, Tebe, Adrastea, Metis, e um ainda sem nome
Saturno 22 Mimas, Enceladus, Tetis, Dione, Rhea, Titan, Hyperion, Iapetus, Phoebe, Janus, Epimeteus, Helena, Telesto, Calipso, Atlas, Prometeu, Pandora, Pan, e quatro ainda sem nome
Urano 21 Ariel, Umbriel, Titania, Oberon, Miranda, Cordélia, Ofélia, Bianca, Cressida, Desdémona, Julieta, Portia, Rosalinda, Belinda, Puck, Caliban, Stephano, Sycorax, Próspero, Setebos, e um ainda sem nome
Neptuno 8 Tritão, Nereida, Naiad, Talassa, Despina, Galatea, Larissa, Proteus
Plutão 1 Caronte
Todos os satélites têm nomes inspirados nas mitologias grega e romana, com a excepção de Urano, cujas luas são personagens de obras de Shakespeare. Os satélites de Marte são os cavaleiros de Ares (o nome grego para Marte); os satélites de Neptuno são criaturas do mar; a única lua de Plutão, o rei dos infernos, é Caronte, o barqueiro dos infernos; quanto às luas de Saturno, estas são em grande parte irmãos e irmãs de Cronos (o nome grego para a divindade romana Saturno), enquanto Júpiter está rodeado de suas (e seus) amantes.
Planetas retrógrados
Para um observador na Terra, tanto o Sol como a Lua percorrem a sua trajectória no mesmo sentido (o sentido directo). No entanto, qualquer dos planetas tem momentos em que se movimenta no sentido oposto a este (o sentido retrógrado). O movimento retrógrado de um planeta pode durar tanto umas horas como alguns anos (no caso dos planetas mais longínquos, que são substancialmente mais lentos), até regressar ao movimento directo. Este era um assunto que intrigava os astrólogos, já que os movimentos retrógrados tinham sempre um significado nefasto na interpretação de um horóscopo. A questão dos planetas retrógrados foi levantada pelos adeptos do modelo geocêntrico. Colocando a Terra imóvel no centro do Sistema Solar, um planeta superior (planetas exteriores à órbita da Terra, isto é, de Marte até Plutão), devido ao facto de ter uma velocidade na sua órbita inferior à velocidade da Terra, poderá sugerir a um observador terrestre que se move no sentido retrógrado. Ou ainda, se a Terra e o planeta se encontrarem em posições diametralmente opostas em relação ao Sol, também neste caso o planeta, visto da Terra, parece mover-se em sentido retrógrado (cf. Figura 8b). No modelo geocêntrico, e com o objectivo de resolver este problema, o movimento dos planetas é apresentado como a composição de dois movimentos: no primeiro, o planeta tem um movimento de translação em torno de um ponto fixo, sendo a linha descrita por este movimento chamada epiciclo; no segundo, o epiciclo executa o movimento de translação em torno do Sol (cf. figura 8a). Com a aceitação do modelo heliocêntrico associado às leis de Kepler, o conceito de planeta retrógrado deixa de fazer sentido e a utilização de epiciclos deixa de ser necessária, uma vez que o referido modelo explica por si os movimentos planetários.
Figura 8.
O movimento retrógrado dos planetas.
(a) Para o sistema geocêntrico o movimento dos planetas superiores era explicado com o auxílio dos epiciclos;
(b) no sistema heliocêntrico, o movimento retrógrado fica perfeitamente claro: para um observador na Terra, o Planeta move-se em sentido contrário (as setas representam o sentido do movimento dos planetas).
O Sistema Solar à luz dos conhecimentos actuais
O Sistema Solar constitui um dos temas em Astronomia e Astrofísica que, nos últimos anos, teve um enorme desenvolvimento. Além das concepções teóricas que naturalmente evoluíram, há a considerar principalmente os resultados provenientes das várias missões espaciais, lançadas para o espaço desde o início dos anos 60.
Atualmente os componentes do Sistema Solar podem ser divididos em quatro grandes grupos: Sol, planetas terrestres e satélites naturais, planetas gasosos ou gigantes e pequenos corpos (asteróides e cometas). Seguidamente apresentamos um resumo das características principais destes quatro grupos.
Sol. O Sol é a única estrela do Sistema Solar. Trata-se de um corpo gasoso e aproximadamente esférico, com 1378 milhões de quilómetros (100 vezes superior ao diâmetro da Terra). O Sol concentra mais de 99.8% da massa de todo o Sistema Solar. Tal como o faz (ou fez) uma qualquer estrela, o Sol transforma no seu núcleo hidrogénio em hélio produzindo assim energia. A teoria indica que a formação do Sol é quase simultânea com a dos planetas e a análise química dos meteoritos que caíram na Terra indica que esta formação teria ocorrido há 4750 milhões de anos. A sonda SoHO, lançada em 1996 e actualmente no espaço, tem como objectivo único a observação do Sol, em particular o estudo dos fenómenos que se passam à sua "superfície", como são exemplo as protuberâncias, as erupções e as manchas.
Planetas terrestres e satélites naturais. Os planetas terrestres, ou seja Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, encontram-se na zona mais interior do sistema e têm dimensões muito semelhantes, sendo a Terra o planeta maior deste grupo (diâmetro = 12756 quilómetros). Uma outra característica é a de apresentarem uma atmosfera muito pequena ou quase inexistente como no caso de Mercúrio, devido ao forte vento solar que se teria feito sentir na altura da formação do Sistema Solar. A sua constituição é maioritariamente rocha e silicatos.
Com a excepção da Terra, naturalmente, Marte tem sido o planeta deste grupo que mais interesse tem despertado no Homem. A possibilidade de existência de vida (mesmo que na sua forma mais elementar) tem alimentado as expectativas e a imaginação de cientistas e do público em geral. Para este facto muito contribuíram algumas das descobertas feitas ao longo da nossa história recente, e que "aproximam" Marte do nosso planeta. São disso exemplo a existência de vulcanismo e de canais, estes só explicados pela existência de líquido (água?) na superfície. Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. Pelo facto da atmosfera ser praticamente inexistente, a temperatura à superfície varia entre 452 ºC de dia e –183 ºC de noite. No entanto, este não é o planeta onde a temperatura atinge os valores mais altos: Vénus, graças à sua atmosfera muito densa e consequentemente a uma forte efeito de estufa, tem uma temperatura à superfície aproximadamente constante e igual a 457 ºC.
Quanto à morfologia e à composição química, os satélites naturais dos planetas do Sistema Solar são muito semelhantes aos planetas terrestres. Entre os mais de 60 satélites naturais, e para além da Lua, os satélites de Júpiter têm sido alvo, nos últimos anos, de interesse crescente. Em particular as "luas" Io e Europa: a primeira pela actividade vulcânica, observada recentemente pela sonda Galileo, e a segunda pela possível presença de água por debaixo de uma fina superfície gelada.
Planetas gasosos ou gigantes. Os planetas gasosos, a saber Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno, situam-se no Sistema Solar entre os planetas interiores e Plutão. Estes corpos, de enormes dimensões, são constituídos fundamentalmente por hidrogénio e hélio, na sua forma atómica, algo já desaparecido dos planetas terrestres. O maior dos planetas deste grupo, Júpiter, tem uma massa quase 320 vezes maior que a massa da Terra. A teoria indica que estes planetas não serão totalmente constituídos por gás; o núcleo, com uma extensão de 10% do diâmetro, deverá ser sólido e constituído por Ferro e Silício.
Uma importante característica comum aos planetas gasosos é a sua elevada rotação: Júpiter, por exemplo, dá uma volta sobre si próprio em menos de 10 horas. A existência de anéis é ainda uma particularidade comum aos quatro planetas. Apesar dos anéis de Saturno serem os mais evidentes e historicamente mais famosos (descobertos por Galileu Galilei em 1610), também Júpiter, Urano e Neptuno têm na sua órbita milhões de partículas, cujas dimensões podem variar entre a fracção do milímetro e poucos quilómetros, e que formam a estrutura anelar.
Pequenos corpos. Pertencem ainda ao Sistema Solar milhares de outros pequenos corpos dos quais podemos destacar os seguintes.
Asteróides. Corpos sólidos, não necessariamente esféricos, com órbitas muito excêntricas em torno do Sol, ocupando preferencialmente uma posição algures entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Este corpos têm dimensões inferiores às dos planetas. O maior dos asteróides, Ceres, descoberto em 1801, tem um diâmetro de 940 km.
Objectos trans-neptunianos. Corpos sólidos e rochosos, cobertos de uma fina camada de gelo, com dimensões que podem variar entre as dezenas e algumas centenas de quilómetros. Estes objectos encontram-se depois de Neptuno definindo a "cintura de Kuiper" em honra a um dos seus descobridores, o astrónomo Gerard Kuiper. Há quem defenda que esta cintura não é mais do que um reservatório de cometas de curto período. Uma das mais recentes discussões entre os especialistas em planetologia, envolve justamente estes objectos e Plutão: alguns planetólogos consideram que Plutão não poderá ser considerado um planeta principal (a par dos outros oito), uma vez que Plutão se tratará de um objecto trans-neptuniano igual a tantos outros que aí existirão.
Cometas. corpos em tudo semelhantes aos objectos trans-neptunianos, mas cuja origem é a "cintura de Oort" a 1500 mil milhões de quilómetros do Sol. Em contraste com os objectos da "cintura de Kuiper", estes são conhecidos por "cometas de longo período".
Conclusão
Voltemos à carta astrológica de Júlio Verne (cf. figura 4) para agora a traduzirmos em função de tudo o que foi apresentado até aqui, sem tentar de modo algum fazer qualquer interpretação da carta para além da que a Astronomia nos pode dar.
Signo solar Aquário: no momento do nascimento, o Sol, visto da Terra, encontrava-se sobre o grau 19 de Aquário (h). Durante cada ano, o Sol visita todos os doze signos do Zodíaco, permanecendo em cada um deles durante cerca de um mês.
Signo lunar Escorpião: no momento do nascimento, a Lua, vista da Terra, encontrava-se sobre o grau 14 de Escorpião (e). Como a Lua tem um período de aproximadamente 29 dias e meio, leva precisamente este tempo a percorrer todo o círculo do Zodíaco, o que quer dizer que durante todos os meses a Lua visita todos os 12 signos do Zodíaco, permanecendo em cada um deles cerca de dois dias e meio.
Signo ascendente Gémeos: a linha horizontal na carta astrológica representa o horizonte do lugar, no momento representado. Na hora do nascimento, Gémeos (` ) era a constelação que se encontrava na posição nascente ou ascendente (AC). Obviamente, alguém que nasça ao nascer do Sol, tem como ascendente o seu signo solar. Na posição diametralmente oposta encontra-se o signo descendente (DC), ou seja, o que está a descer no horizonte, a poente.
Meio do Céu em Aquário: Meio do Céu (MC - Medium Coeli) é o ponto do círculo do Zodíaco intersectado no referido momento pelo meridiano do lugar. No caso em questão, esse ponto é o grau 16 de Aquário (h). Na posição diametralmente oposta encontra-se o ponto denominado Fundo do Céu (IC – Imum Coeli).
Cabeça do dragão em Balança: no momento do nascimento, o nodo Norte (W ), visto da Terra, encontrava-se no grau 29 de Balança (d ).
Saturno retrógrado em Caranguejo: naquele dia, visto da Terra, Saturno encontrava-se sobre o grau 14 de Caranguejo (a ). Como o período de Saturno é de pouco menos que 30 anos, este planeta permanece em cada signo do Zodíaco durante quase dois anos e meio. Além disto, Saturno, visto da Terra no dia em questão, movia-se no sentido retrógrado.
Plutão em Carneiro: naquele dia, visto da Terra, Plutão (P) encontrava-se sobre o grau 5 de Carneiro (^ ). Como o período de Plutão é de 248 anos, este planeta pode permanecer num signo do Zodíaco durante mais de 20 anos.
Netuno em oposição a Saturno ou Lua em conjunção com Júpiter: depois de identificadas as posições do Sol, da Lua, dos planetas e dos nodos na carta astrológica, pode fazer-se um pequeno exercício de trigonometria e identificar os planetas que se encontram em posições "interessantes". Diz-se, por exemplo, que dois ou mais planetas estão em conjunção se o ângulo entre as suas posições for aproximadamente de 0º e estão em oposição se o ângulo for de 180º. Outras posições que constam de uma carta astrológica são ângulos de 90º, 60º, 120º, etc. No caso de Júlio Verne, é fácil identificar na carta tanto a conjunção entre Júpiter (4) e Lua, que aparecem claramente sobrepostos, como a oposição entre Neptuno (y ) e Saturno, cujas posições são diametralmente opostas.
Eclipse
Em termos geométricos,
elipse é o lugar geométrico dos pontos de um plano cujas distâncias a
dois pontos fixos (focos) desse plano
têm soma constante. Esses pontos são os dois focos da elipse.
Se um deles se afasta para o infinito, a curva se transforma em uma
parábola. Se os focos
forem coincidentes, a elipse torna-se uma
circunferência. A reta que une os focos, determina na elipse seu eixo maior. A perpendicular ao
eixo maior, eqüidistante dos focos, determina seu
eixo menor. O
centro da elipse é a interseção desses eixos. Na parábola, o único eixo existente é o equivalente ao eixo maior da elipse.