Constelação de Touro
A Constelação de Touro é uma das mais antigas na elaboração do Zodíaco. Na época em que o equinócio de primavera (HN) ascendia na constelação de Touro, na Índia, Grécia e Egito, o Gado era muito importante, ele era usado tanto como alimento, como animal de tração, assim como símbolo divino. Fala-se que o Egito se apoiava nas águas do Nilo e na paciência do Boi (figurado no divino Ápis). Quando o ponto de equinócio, cursava a Constelação de Touro (na atualidade está na constelação de Peixes, movimentando-se na direção da constelação de Aquário), cultuava-se o mito do Minotauro na Creta, o Ápis no Egito, a Vaca Sagrada na Índia. Talvez essa tenha sido a primeira constelação criada pelos Babilônios. Em torno do ano 4.000 a.C., o equinócio da primavera apontava as Plêiades. No zodíaco de Hiparcos, o Touro homenageia, junto a Constelação de Órion (um dos 43 Hércules do tempo pré-clássico), um dos doze trabalhos de Hércules. Objeto de admiração em todos os tempos, a constelação de Orionte é, com a Ursa Maior e as Plêiades, das constelações mais antigas. Com exceção do Carro da Ursa Maior, o Cinturão de Orionte é provavelmente o mais conhecido e o mais popular de todos os grupos estelares. Hoje são conhecidas como as 3 Marias ou os 3 Reis Magos. Nos antigos catálogos, Orionte é representado por um caçador brandindo um maço, enfrentando o Touro celeste. Tem aos pés a Lebre e seguem-nos o Cão Maior e o Cão Menor. O nome Orion vem do sumério Uru-anna, a Luz do Céu, título do herói caldeu Tamuz, o filho do Sol, que se terá tornado no Adónis grego dos tempos clássicos. Cerca de 5000 anos a.C., o "cinturão" de Orionte começava a ser visível, de madrugada, no mês de Tamuz (Junho). Era também neste mês que se celebrava a morte de Adónis. Homero descreve Orionte como "o mais alto e belo dos homens" e esta descrição adapta-se também a Adónis. No panteão assírio-babilônio, as estrelas principais eram personificações de deuses; a multidão de estrelas não classificadas constituía "o rebanho do céu", cujo pastor era a constelação de Orionte. Na mitologia egípcia, as almas de Osíris e de Ísis haviam-se imortalizado em Orion e Sirius, respectivamente. No Zodíaco de Denderah, Orionte, símbolo do deus Sol Hórus, é representado num barco cercado de estrelas, seguido por outro barco conduzindo Sótis, a estrela Sirius. Numa lenda grega, Diana, a deusa-Lua, apaixonou-se perdidamente pelo belo e hábil caçador, passando muito tempo com ele. Seu irmão Apolo, o deus-Sol, furioso ao vê-la negligenciar os seus deveres de caçadora, enviou um escorpião para matar Orion. O escorpião mordeu Orion, que caiu ferido mortalmente. Zeus para consolar Diana, colocou Orionte entre as estrelas. Assim a deusa-Lua pode vê-lo quando viaja no seu carro de prata. A base astronômica do mito é o fato de a constelação de Orion se pôr exatamente quando a constelação do Escorpião nasce, tal como se este perseguisse o herói. Noutro encantador mito grego, é a deusa da madrugada, Aurora, "a dos róseos dedos" no dizer de Homero, que persegue Orionte com o seu amor. Orionte foge. No céu de Inverno, quando Orion se põe no mar a oeste, as suas estrelas desvanecem-se muito lentamente, ou seja, a madrugada tenta retê-lo para poder ficar mais tempo a seu lado. Ao desaparecer Orionte, a Aurora derrama lágrimas amargas, que podemos ver nas flores, na relva, nas árvores de manhã: as gotas de orvalho. Como constelação de Inverno, Orion estava associado ao mau tempo. Eneias, refere-se-lhe, ao relatar a tempestade que o apanhou na costa de África no seu caminho para Itália. Políbio, o historiador grego (séc. II a.C.), atribui a perda da esquadra romana, durante a 1a Guerra Púnica, ao fato de terem navegado já depois do "nascimento de Orion". Também Camões a isso se refere nos Lusíadas, Canto X, 88: "E do Orionte o gesto turbulento". No zodíaco helênico, o brilhante Touro homenageia um amor feliz de Júpiter. O Deus transformado num Touro Branco raptou Europa, filha do rei Agenor, de Tiro. O Touro encantado apareceu na presença da deusa, enquanto ela caminhava com suas irmãs pela praia e ajoelhou-se aos pés dela, que não resistiu e montou em seu dorso. Andando sob o mar foram para uma distante ilha, Creta. Lá ele teve com ela três filhos: Minos, Radamanto e Sarpédone. O nome da Estrela Alpha de Touro, Aldebarã, é de origem posterior árabe e significa “o que vem depois” das Plêiades. É uma estrela gigante, de grande visibilidade. O grupo estelar das Plêiades era em tempo mais antigo, uma constelação separada, não fazia parte de Touro. Para os tuaregs do deserto africano, descendentes diretos dos egípcios, as Plêiades são as Filhas da Noite. Os assírios denominavam a Estrela Aldebarã como Nebo. Os índios Bororó, do Brasil, a designavam por Cogue, um dos deuses da chuva. Na mitologia helênica as Plêiades são: Atlas (pai), Pleiona (mãe), Alcyone, Mérope, Electra, Celaeno, Taygete, Astérope, Maia. Conforme as narrativas de Hesíodo, Atlas o titã, junto à Pleiona foi o pai de sete filhas, as Plêiades; e junto a Etra, foi pai de outras sete filhas, as Hyades. A antiga Hyades, composta das sete estrelas da Cabeça do Touro, sendo Aldebarã uma delas, não é mais considerada como constelação, na atualidade. Elas cuidavam de Júpiter e criaram Baco, por isto, em gratidão foram transformadas em Estrelas. Tais deusas também cuidavam da chuva e representavam a fertilidade da terra.Posição no céu
Entre zero e 30°N de declinação e 3 h 20 min e 6 h de Ascensão Reta, abrange uma área de 797 graus². Touro é visível entre as latitudes 90°N e 65°S. A constelação de Touro fica na borda galáctica. Na sua direção encontram-se bilhões de galáxias iguais à nossa. Ela fica ao Norte do Equador Celeste. Tem ao Sul, Órion; ao oeste, Carneiro; ao Leste, Gêmeos; ao Norte Cocheiro e Perseu. A estrela Beta, Al Nath, é comum de Touro e da constelação de Auriga, o Cocheiro. Esta constelação homenageia Automedonte, o célebre condutor do carro de Aquiles, no cerco de Tróia ou também a Anfistrato, o condutor do carro de Castor e Pollux. Principais estrelas e objetos A constelação de Touro tem o primeiro plano estelar formado por 57 Estrelas visíveis: uma de primeira grandeza, Aldebarã; uma de segunda, Al Nath; duas de terceira, Hyades e Europa; 21 de quarta, e 32 de Quinta. Estrela Nome Distância Raio Mag. TipoAlfa Aldebaran 65,2 al 219 rs 0,84 Supergigante vermelha
Beta ElNath 131 al 4,5 rs 1,62 Binária
Gama - 154 al 26 rs 3,62 -
Zeta - 418 al 6,8 rs 2,96 - O objeto de maior destaque em Touro é, sem dúvida alguma, o aglomerado aberto das Plêiades (M45 ou NGC 1432), a 400 anos-luz da Terra, formado por cerca de duas mil estrelas jovens, com apenas algumas dezenas de milhões de anos (o Sol tem cinco bilhões de anos). Fotografias de longa exposição através de um bom telescópio podem revelar facilmente os restos da nebulosa que lhes deu origem. O aglomerado aberto das Híades fica a somente 130 anos-luz do Sol e é formado por estrelas bem mais antigas que as Plêiades, espalhadas numa região com cerca de 5° de diâmetro, a Oeste de Aldebaran. A Nebulosa do Caranguejo é outro destaque. Há 6.000 anos-luz da Terra, o nome advém de sua aparência ao telescópio. Trata-se dos restos de uma supernova observada no ano de 1054 pelos chineses. Após a explosão, seu brilho foi pouco a pouco diminuindo até se tornar quase invisível a olho nu. Em 1758 o astrônomo Charles Messier (1730-1817) reecontrou-a enquanto procurava o cometa de Halley. No alinhamento da Estrela Europa, estão uma Rádio-fonte e a Nebulosa do Caranguejo (M-1). Próximo do alinhamento da estrela Tau, há outra Rádio-fonte.
