Em destaque: Gira das Dionísiacas do Teatro Oficina pelo Brasil
Informações pegas do site do Teatro Oficina MANAUS 25 de agosto – Saída no navio Santarem para MANAUS, via rio Amazonas30 e 31 de agosto – montagem e oficinas
1º de setembro – montagem e ensaio técnico (faz parte das oficinas)
02 de setembro – ensaio geral (faz parte das oficinas)
03 de setembro – folga
04 de setembro – sábado – TANIKO `às 18h
05 de setembro – domingo – CACILDA!! `às 18h
06 de setembro – segunda, véspera do feriado – `às 18h BACANTES
07 de setembro – terça, feriado – BANQUETE `às 18h
08 de setembro – desmontagem e embarque do material no caminhão
09 de setembro – deslocamento MAO/SP, SSA e RIO
MINAS GERAIS (BELO HORIZONTE E BRUMADINHO) 06 a 15 de outubro – montagem da estrutura
06 de outubro – deslocamento SP/BRUMADINHO
07 de outubro – dia pra conhecer inhotim
08, 09, 10, 11, 12 de outubro – oficinas em INHOTIM
13 de outubro – deslocamento Brumadinho/BH
14 de outubro – folga
15, 16, 17, 18 – montagem BH e oficinas trabalho novo
19 de outubro – ensaio técnico ou corrido (faz parte das oficinas)
20 de outubro – folga
21 de outubro – TANIKO – quinta-feira
22 de outubro – CACILDA!! – sexta-feira
23 de outubro – BACANTES – sábado
24 de outubro – BANQUETE – domingo
25 de outubro – desmontagem
26 de outubro – deslocamento BH/SP
RIO DE JANEIRO 28 de outubro a 06 de novembro – montagem da estrutura
06 de novembro – deslocamento SP/RJ
07, 08, 09 de novembro – montagem e oficinas trabalho novo
10 de novembro – ensaio oficina (aberto aos participantes)
11 de novembro – folga
12 de novembro – TANIKO – sexta-feira
13 de novembro – CACILDA!! – sábado
14 de novembro – BACANTES – domingo
15 de novembro – BANQUETE – segunda feriado república
16 de novembro – desmontagem
17 de novembro – deslocamento RJ/SP
Sobre os espetáculos (do site do teatro): "TANIKO, O RITO DO MAR – peça do repertório Nô, criada por Zeame, o Shakespeare do Teatro Japonês, transfigurado em Nô Bossa Nova TransZênico inspirado na arte da bossa nova de João Gilberto e na adoração que o público japonês dedica a este grande artista brasileiro, com sua cultura exata, cool, e zen budista. Como uma Yoga, rebolada. ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR, CACILDA!! – em torno do início da carreira de teat®o da maior atriz brasileira de todos os tempos, Cacilda Becker, aos 20 anos de idade no Rio de Janeiro. Peça que preenche o vazio deixado pela ditadura, da herança do Moderno Teatro Brazileiro, e nos coloca com a multidão, antropofagiando a cultura brasileira revolucionária dos anos 40, em que o Poeta Carlos Drummond de Andrade assessorava o Ministro da Educação e da Saúde, do famoso prédio de Le Corbusier, Lúcio Costa e Niemayer. Foi o período de estreia de “O Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, iluminado e dirigido por Ziembinski, que revolucionou o Teatro Brasileiro em 1943, mesmo ano em que Oswald de Andrade escrevia “Do Teatro que é Bom”, seu manifesto por um Teatro de Estádio para a emoção, para a paixão do Povo brasileiro. Tempo da Revolucão da Rádio Nacional que levou a Época de Ouro do Samba para todo Brasil e Mundo. De Villa Lobos com seus Corais de Multidões para Multidões, de Bidu Sayião, uma das maiores divas da Ópera Internacional, Portinari, Mário de Andrade, liberação das Escolas de Samba, do Candomblé, criação da Funai, Fundacão do Teatro Experimental do Negro por Abdias Nascimento. Esta peça tem como personagens Grande Othelo, Cacilda Becker e Maria Della Costa, fazendo “O Vestido de Noiva”, Ziembinski (Hector Othon), Getúlio Vargas, e muitos outros grandes artistas da Época. Cacilda (Anna Guilhermina) e Hamlet (Ariclenes Barroso) em Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!, foto de Marcos Camargo BACANTES – Rito de Origem da Religião Dionisíaca do Teatro. Ópera de Carnaval Brazyleira que conta e canta a história do deus Dionísios, deus do Teatro, do Vinho e de todos os líquidos em forma de “Tragicomédia Orgya” criada com a participação ativa da Multidão. O BANQUETE, de Platão – reescrito em versos, musicado e tornado um Banquete como faziam os gregos, ofecerecido por um Ator que acaba de vencer uma Dionizíaca de Atenas e oferece uma festa em sua casa, para o povo e para celebridades como Aristófanes, e entidades, como Afrodite, Eros, Zeus, Hera, Apolo, etc… É a finalização em cada capital com uma Grande Festa Carnavalesva com as Bandas de Rock, Samba, dos componentes do Corpo Musical do Teatro. Veja detalhes de dias e horas no site do Teatro Oficina http://www.teatroficina.com.br.
Estrela Brazyleira a Vagar, Cacilda
Em Cacilda!! começo a peça interpretando um dos porteiros do início da peça. Depois interpreto o Cristo do Corcovado, na cena do cassino. A seguir interpreto aparição do Presidente Lugo do Paraguay. A seguir interpreto o Minotauro.
Adoro Cacilda!! passo todo o tempo ligado em tudo o que acontece. Gosto de acompanhar o público extasiado com a magia da peça, viajando, se divertindo, se emocionando.
Gosto muito que a duração da peça chega a ultrapassar 6h. Agora para a versão das dionisíacas o Ze fez uns cortes legais que a deixaram mais dinâmica, mas confesso que todas as partes tiradas são maravilhosas e que para mim a versão mais cumprida continua sendo a preferida, e aqui me refiro a Cacilda!! do começo, do Rio 2009. Especialmente as falas de Ziembinski do inicio são muito fortes, poéticas, encantadas... Ainda que não estão mais na peça para mim continuam vivas, presentes! Então a encenação da peça era mais de 6 horas agora está um pouco mais de 4 horas.
Link da critica do Estadão sobre Estrela Brasyleira a Vagar - Cacilda!!
O Banquete, de Platão. Reescrito em rima pelo Zé Celso
O Banquete de Platão, reescrito por Zé Celso é toda uma louvação ao Amor e a Eros...
Não recomendo as pessoas caretas assistirem, ao não ser que estiverem dispostos a virar...
Aos apaixonados pela liberdade que este mundo oferece e aos que quiserem se nutrir da Sabedoria e Beleza de Eros através da sensibilidade de Sócrates, Platão, Zé Celso e Tyazo do Teatro Oficina venham a celebrar juntos este ritual de ditirambo imperdível ao Deus que enlaça corpos, almas e corações..
No Banquete interpreto Zeus.
Gosto muito do Banquete! Sempre ilumino, curo, amplio meu erotismo e amorosidade. É incrível mesmo a riqueza desta peça na revelação de mistérios do amor e do erotismo, que sem lugar a dúvidas mexe em tabus, resistências, preconceitos, circuitos travados no fluxo do amor, tesao, erotismo, sexualidade: kundalini.
A peça apresenta de maneira muito linda, criativa, e didática a criação do homem, mulher e geélebetetésses por Zeus, a partir dos andrógenos. Na cena Zeus, Hera e Apolo formam um trio cômico, trágico e lirico que encanta e seduz.
O Banquete oferece também para ser comido o mistério da Agalma, que durante a peça toda vai se revelando até no final pairar no ar e contagiar a todos os presentes.
As cantadas de Fedro, Aristofanes, Eriximaco, Socrates, Alcebiades, Agatão, o canto e discurso da sacerdotisa amante Diótima, e a magia de todas as cenas que eles e elas desencadeiam vão sendo tecidas pelo vinho, a poesia, o canto e a atuação inteligente e agraciada, de um jeito tal que o Banquete estraçalha refinadamente tudo o que não flua no amor, ardor e tesão que brota das várias caras de Eros.
Pela peça rolam deuses: Eros, Zeus, Hera, Apolo, Hefestos, Embriaguez, Pombagiras, Yemanjá, Asclépio, a elite da sensibilidade e inteligencia da Grecia de Socrates, reunidos todos para celebrar o premio que Agatão ganhou ao interpretar no dia anterior as Bacantes.
Bacantes
Nas Bacantes interpreto Zeus - Fidel Castro (forma humana), Kadmos - Fidel Castro. Bacantes Bacantes foi canalizado por Eurípedes faz mais de 2 mil anos... Desde que cheguei no Teatro Oficina em 1984, namoro Bacantes, encantado com ela desde a primeira leitura. Mas que uma peça, é um rito sagrado, onde cultuo e adoro Dionísios e estraçalho meu Penteu, até virar Apolo. "MENSAGEIRO BOIADEIRO: Eu vi! Eu vi as venéreas! As veneradas Bacantes! ..." E eu falo, eu vi, vivi no ritual com as veneradas Bacantes, os encantados Satyros e os divinos Zeus, Hera, Dionisios, Apolo, e os humanos divinos Tiresias, kadmos, Agave, Ino, Autonoe, Penteu. Bacantes, é sem lugar a dúvidas, a minha preferida nas Dionisíacas, seja atuando ou assistindo. Ainda que já teve vezes, que o Banquete, me pego mais forte que Bacantes, por exemplo nas apresentações de Belém. O mito de Dionísios nas Bacantes, se nutre da mesma fonte que onde mais tarde nasce o mito de Jesus na Bíblia. Diferenciam-se na forma em que responde Dionísio e Jesus quando prendidos pelo representante do poder mundano da cidade, onde ambos, quando prontos, foram pregar seus ensinamentos e cantos. O texto Bacantes, é a Bíblia de Dionísios. Dionísios, ao igual que Jesus, é filho de uma mulher com o Deus supremo. E ao igual que Jesus, se manifesta no seu poder divino para o povo da mãe. Só que a diferença do comportamento de Jesus quando é pego por Pilatos, aceitando a tortura, o martírio e a crucificação, Dionísios, quando pego por Penteu, se mostra Deus, e o conduz a seu fim trágico de onde renasce Apolo. Dionísios faz com que a mãe de Penteu, Agave, comande seu estraçalhamento. Possuída e crente de que o filho era um leão, junto a suas irmãs e as mênades, arranca a cabeça do filho e estraçalham seu corpo. Depois ainda a mãe, orgulhosa de si, leva a cabeça do filho, Penteu, como um troféu, pensando que era a cabeça de um leão, para ser pendurada na frente do palácio e ganhar os elogios do povo, do pai Kadmos e do próprio Penteu, que ela acha vivo. Chegando a cidade com a cabeça do filho cravada no tirso, fica para Kadmos a difícil missão da acordar do encantamento báquico, e a trazer para a trágica realidade. Logo Dionísios revela o mistério, todos são iluminados e Kadmos e família viram adoradores libertos do deus.
Interpreto Kadmos no papel de Fidel Castro
Sobre Kadmos:
História de Kadmos
Cadmus, ou Kadmos (Grego: Κάδμος).
Kadmos, antes de sua historia na Grécia, foi um príncipe fenício, filho de Agenor (rei da Siria) e Argíope ou Telephassa e irmão de Phoenix, Cilix e Europa, natural de Sidon na Siria, antiga Pérsia.
O rei Agenor era filho de Poseidon e Libya. Assim Kadmos era neto de Poseidon (Netuno)**Texto em negrito
Kadmos foi creditado pelo Hellenes com a introdução do Alfabeto Phoenician, grammata do phoinikeia, introdutor do alfabeto fenício na Grécia.
Herodotus dá estimativas que Kadmos viveu ao redor 2000 BC. Kadmos fundou a cidade de Tebas, e seu acrópolis foi nomeado originalmente Cadmeia em sua honra. Europa foi raptada por Zeus. Com o desaparecimento de Europa, o rei Agenor ordenou a Kadmos e seus irmãos a encontrá-la. e não podiam retornar sem ela. No período de busca, os irmãos de Europa fundaram várias cidades e por fim acabaram se estabelecendo definitivamente em outras regiões. Fênix se instalo na Fenícia; Cílix, na Cilícia; e Kadmos, na Grécia. Kadmos viajou acompanhado da mãe, Teléfassa, e dirigiu-se inicialmente para a Trácia (ou Samotrácia), onde viveu algum tempo. Pouco depois da morte da mãe, aconselhado pelo oráculo de Delfos, parou de procurar Europa e fundou a Cadméia, a acrópole fortificada da futura cidade de Tebas. Mal sucedido em sua busca, Kadmos , andando errante chegou a Delfos. O oráculo de Delfos o aconselhou a parar de procurar e o orientou para comprar dos pastores da região uma vaca com uma Lua (Selene) no dorso e levá-la consigo. Onde a vaca desfalecesse ele deveria fundar uma cidade e reinar nela. Na busca de água chegou a fonte Castália, guardada por um dragão, filho de Marte. O dragão matou seus companheiros, e ele seguindo orientação de Metis (Athena), o matou com uma pedra e plantou seus dentes dos que nasceram guerreiros. Os guerreiros (“spartes-semeado”) lutaram entre si, e no fim só sobreviveram 5 que ajudaram a Kadmos a criar, construir e comandar Tebas: Ctónio, Udeo, Hiperenor, Peloro e Équion.
Kadmos e Harmonia Como o Dragão era filho de Marte, Kadmos, mais tarde, tem que servir Marte por oito anos. Na expiração deste período, os deuses lhe deram Harmonia como esposa. Kadmos e Harmonia tiveram cinco filhos: Polydorus, e quatro filhas, Agave, Autonoe, Ino e Semele. No casamento as musas cantaram durante os festejos e a noiva recebeu dois presentes fabulosos: um maravilhoso vestido, tecido pelas Cárites, e um belíssimo colar de ouro, feito por Hefesto. Harmonia é a deusa da harmonia e da concórdia. Harmonia é filha de Ares e Afrodita; ou de Afrodita e Hefestos. No final da vida, Kadmos e Harmonia foram levados para os Campos Elíseos.
Kadmos fundador e Rei de Tebas Kadmos tornou-se rei de Tebas e seu reinado foi longo, tranquilo e próspero; consta que ele civilizou a Beócia e ensinou aos gregos o uso da escrita. Já idoso, Kadmos entregou o trono de Tebas a Penteu, filho de Agave e Équion (um dos espartos). Logo que entrega o poder a Penteu, Kadmos acompanha a tragédia que aconteceu com sua família e povo por não saberem adorar Dionisios, seu neto, filho de Semele. Ele acompanha a destruição de sua casa, palácio, poder, família, e o pior, o estraçalhamento do neto Penteu, pelas suas filhas e mênades.
Kadmos no rito Bacantes Imagino a Kadmos no momento de delegar o comando de Tebas a Penteu com idade em torno dos 250 anos, muito velho e vivido, mas ainda com um físico funcionando, consegue caminhar com soltura, ate dar umas corridinhas, uma mente lucida, uma voz clara, tom zen e gozado, um coração aberto ao aqui e agora. Sinto a Kadmos satisfeito com suas conquistas. Ele deixa para Pentheu uma cidade estruturada, funcionando, com um povo em paz, harmonia em crescimento.
Kadmos e seus netos Pentheu e Dionísios Kadmos acompanhou a vida de seu neto Pentheu com esmero desde seu nascimento, o educo e formou, com o claro desejo do fazer seu sucessor. Meses antes da chegada de Dionísios a Tebas, Pentheu esta pronto para realizar o sonho de Kadmos, que com alegria e satisfação lhe passa o poder e comando de Tebas. Kadmos se orgulha de Pentheu, aprecia suas competências, habilidades e talentos, mas está preocupado com sua ousadia, atrevimento e desejo de poder diante o poder divino de seu outro neto Dionísios que se aproxima a Tebas. Dionísios, filho da sua adorada filha Semele com Zeus, e com segundo nascimento no Deus, por tanto Deus também. Kadmos sabe que em algum momento Pentheu irá encontrar Dionísios. E sabe também que Pentheu, como também a sua mãe Agave, e tias Autonoe, Hino não acreditam que Dionísios seja um Deus, e por tanto que Semele, sua tia, é uma farsante, louca que se diz ter sido engravidada por Zeus.
Isto preocupa a Kadmos, que pede a colaboração do sábio e amigo Tirésias para fazer, juntos, a cabeça de Pentheu.
Saindo para as bacanais, a receber o adorado Dionísios, Kadmos e Tirésias encontram Pentheu, e se esforçam em convencer Pentheu a ir junto a saudar Dionísios como Deus adorado.
Pentheu se nega a reconhecer a Dionísios como Deus e o adorar, e muito mais, rompe com seu amado e sábio avô, que o toma como louco e cabeça feita por Tiresias. Neste momento Kadmos fica desesperado e começa a articular formas de evitar a tragédia anunciada a aqueles que não tem adoração pelo Deus. Assim, ele deixa a seu neto no transe egoico, e vai ao encontro de Dionísios. Na cabeça dele, Dionísios poderia ter piedade de Pentheu e Tebas em consideração a ele ser seu avô e assim poupa-los de seu castigo sagrado.
A partir deste momento visualizo varias alternativas para Kadmos:
- Kadmos participa das bacanais e do estraçalhamento possuído, encantado, inconsciente. Volta assim quando atravessa as portas da cidade com Tirésias, mas não lembra de nada. É neste momento que ele é informado que Pentheu foi estraçalhado pelas mênades e suas filhas.
- Kadmos participa das bacanais, mas não do estraçalhamento de Penteu, quando voltando das bacanais com Tirésias atravessa as portas da cidade é informado do estraçalhamento de Pentheu pelas filhas e as Menades e a destruição de sua casa e palácio.
Fidel e Kadmos
Ao igual que Kadmos, Fidel Castro é o fundador e construtor de um novo sistema social: a Cuba revolucionaria, socialista. Ao igual que Kadmos, Fidel é um guerreiro poderoso, sábio, carismático que reinou em Cuba por 50 anos, até recentemente passar o poder para seu irmão Raul, seu Penteu.
Na atualidade, o Deus Dionísios, está por visitar Cuba. Já se escutam os rumores e se sentem os primeiros sinais. Fidel na peça Bacantes No fim da peça, Fidel-Kadmos, declara Cuba livre, aceita a Paz, a Reconciliação e se abre para a Orgia. O propósito mágico desta encenação é levar ao próprio Fidel em vida, libertar Cuba de sua ditadura, na atualidade de quase 51 anos, e abrir Cuba novamente para todos os cubanos e o mundo, através do dialogo, paz, reconciliação.
Desafio ao interpretar estes grandes homens: kadmos e Fidel Castro No inicio eu construí a personagem usando o jeito tradicional de se viver a tragédia e assim me permiti usar e abusar do drama. Me permitia chorar a morte de Penteu, a destruição da casa e do Palácio. Me permitia ficar bravo com Agave. Me permitia acusar, criticar e ate ser violento. O público gostou desta interpretação e assim fiquei acomodado nela. Na direção nova do Zé, tive que desconstruir o drama e me libertar de clichês dramáticos, lugar comum, mesmice e encarar a nobreza e sabedoria deste homem, que além do drama, vive o trágico como ponto de mutação, virada, até rir de si mesmo e aceitar que merecia ser estraçalhado e arrasado em suas ilusões de poder mundano, protagonista de não saber adorar. Kadmos, velho e sábio guerreiro, construtor de uma cidade, um sistema social... aceita sua ilusão no poder mundano de mortal, herdada pelo seu neto Penteu e aceita Dionisios como Adorado e Guia. Kadmos, iluminado pela adoração, consegue rir de si mesmo e de sua tragédia. E assim, ao encarar o processo de desencantamento de sua filha, não da passagem ao julgamento, a violência, ao drama, mas se conduz sempre com amor e compreensão. Penteu é estraçalhado no corpo, kadmos é estraçalhado na alma, ambos pegos por falta de Adoração. Kadmos na realização do rito, oferece magicamente a oportunidade a Fidel Castro, em vida, não repetir o destino trágico de Penteu e Tebas, ao se abrir para a Paz, Reconciliação e a Orgia. E assim, em vez de delegar seu poder para Raul - Penteu seguindo seu modelo mundano ditatorial, Fidel em vida, pode coroar seu papel em Cuba, a abrindo para o dialogo e reconciliação entre todos os cubanos. É bom lembrar que na atualidade existem milhões de cubanos que não podem viver em seu pais por discordarem do regime castrista. E que na própria Cuba, as vozes contrarias ao sistema castrista, são cruelmente caladas e reprimidas em nome do povo e a Revolução. Cuba esta pronta para comer e ser comida por todos os cubanos e o mundo. Se Fidel Castro percebesse isto, poderia saborear em vida, o nascimento de uma nova Cuba Libre que saberá orquestrar diferenças, potencialidades diversas de forma democrática, amorosa, ardorosa e artística e o melhor podera saborear relacionamentos mais ricos e generosos com todos os países e culturas do mundo.
Fidel Castro
Desde criança sempre vi Fidel Castro como um herói, pai e grande guia. Minha mãe era adoradora e apaixonada por ele, a tal ponto, que muitas vezes me perguntava se meu pai não sentiria ciume dele, motivo pelo qual a seu jeito o criticava.
Tive a sorte de acompanhar seus discursos na praça da Revolução que ficava perto da minha casa. Lembro que muitas vezes fui a assistir seus discursos sozinho, ainda que adolescente, movido por paixão e encantamento com esse homem que com tanto brilhantismo levava o povo ao delirio revolucionario, capaz de enfrentar tudo, inclusive o poderoso imperialismo norteamericano. Eu ficava orgulhoso dele e com todo meu coração acompanhava o processo revolucionário e participava de tudo o que podia.
Sempre fui pioneiro e logo aos 16 anos jovem comunista. Ainda que sentia o sofrimento de muitos cubanos contrarevolucionarios com os radicalismos revolucionários, entendia que não era possível outra atitude diante os perigos evidentes que eles representavam como marionetes do imperialismo. Tive a sorte também de conhecer o Che Guevara e outros muitos dirigentes do comite central do partido. Na minha visão da época eles todos eram impecáveis, exemplos de dedicação, entrega, amor e coragem para enfrentar o que for para manter as conquistas da Revolução, germe dos sonhos de nosso apostolo Martí.
Sai de Cuba, não porque eu me opusesse ao regime castrista, mas porque não conseguia participar mais dele, começava acordar para as falhas do sistema no contexto atual do mundo e o preço que o povo cubano estava pagando por insistir neste caminho que mais que revolucionário, estava se mostrando castrador, preconceituoso, cruel e ditador.
O que mais me provocou impacto foi perceber a incapacidade do sistema lidar com seus opositores, a tal ponto que milhões de cubanos foram expulsos de Cuba, sem possibilidade de retorno, e os que insistiram em ficar dentro eram massacrados das formas mais perversas e cruéis. Ao mesmo tempo, se não se agisse assim, com certeza Cuba seria comida pelo capitalismo e a chamada democracia como foram todos os países do Sistema Socialista.
Meu sonho, é que Fidel Castro em vida, como resultado de sua sabedoria, maturidade e sensibilidade acorde para as exigências do momento atual de Cuba e se abra para o dialogo, a reconciliação e a Paz. Para mim seria uma colaboração sem igual para Cuba e o Mundo.
Por isto, quando o diretor Ze Celso me propus realizar a cena desta iluminação ardorosa de Fidel, atraves do renascer de Kadmos apos a tragedia, achei a possibilidade de realização de um desejo profundo que coroaria o processo revolucionário com o que tem de melhor, sua vontade de colaborar com o bem-estar, a justiça e a consciência cidadã.
O pedido de perdão recente de Fidel Castro aos homossexuais, no meu parecer, é um sinal de que Fidel Castro esta acordando na percepção de seus equívocos e limitações. Recentemente precisei do consulado cubano em São Paulo e tive o privilégio de encontrar um funcionário ao velho estilo preconceituoso, cruel, sem respeito e amor pelo outro. Fui tratado como um "gusano" (cubano fora de Cuba) que não merece atenção e gasto de tempo. Ao mesmo tempo que me senti agredido, tive a satisfação de sentir na minha pele, o que eu mesmo como militante comunista devo ter provocado em muitos cubanos quando estava em Cuba em plena ação revolucionaria. Deu para perceber nesta simples vivencia, quando uma pessoa não ilusão de sua militância, seja politica ou religiosa, em nome do bem, da coletividade e as vezes ate do amor pode ser cruel e preconceituoso com outro ser humano.
Viva Cuba Livre! E que os cubanos possuídos com seus radicalismos sejam a favor ou contra do sistema castrista, consigam todos se abrir para um novo tempo de dialogo e reconciliação no caminho da Paz, Prazer e o bem-comum independente de ideologias, costumes, formas de vida.
Neste sentido, considero que o ritual Bacantes, colabora com este momento especial de Cuba e de Fidel Castro abrindo a possibilidade de um caminho de bem-aventurança e plenitude. Zeus no inicio das Bacantes
Interpretando Zeus aprendi a ver o humano como divino, e desde o divino perceber o transcendente do humano enquanto mortal. A condição de mortal existe no aqui e agora, o depois é só possibilidade. Como mortal não se sabe até quando se viverá, assim como não se sabe até quando viverão amados e amadas. A certeza da vida só se saboreia no instante infinito que une, eternamente. Dialogo entre Zeus e Semele no inicio das Bacantes: Semele: Vc me ama? Zeus: Adoro (que se te amo, muito mais, muito mais te adoro.) Semele: como mortal Zeus: o melhor amor que existe.
Zeus me ensinou: Mais que amar, adorar!
Desde 1984 acompanho os ensaios e encenações das Bacantes No meu primeiro contato com o texto, me tocou interpretar Zeus com Denise Assunção fazendo Hera. Sempre que participei de ensaios públicos foi interpretando Zeus ou um Sátiro do coro. Mas o maior tempo que passei junto as encenações das Bacantes foi como espectador. Adoro assistir as Bacantes, para mim o ritual teatral mais belo, humano e divino que tenho vivido. A direção do Zé e a magia dos rituais do dia a dia, ensaios e apresentações, deliciosamente modulam os corpos para expressarem a beleza viva dos cantos báquicos... os corpos chegam travados, contaminados, viciados, adormecidos, automáticos e pouco a pouco vão entrando em sintonia, harmonia, comunhão gozosa sejam atores ou público, todos ligados através do rito. A medida que o rito rola, Dionisios-Penteu namoram e a alegria de viver em celebração sagrada-humana, acaricia. Duas vezes se nasce, Na primeira, nascido de mortal se é estraçalhado. O DRama humano e divino vira tragicomediaorgya. Na segunda se nasce do Deus. Quando a vida se torna presença e rompe o egoismo do sistema centrado na família e no ego, revelando o que une, a orgia. O ator, virado Deus e Humano fala, gesticula, movimenta, expressa como beija-flor, trovão, amanhecer... atuação presente... delicia divina e humana. Iniciados as oficinas, ensaios ou apresentações o cansaço e a dispersão desaparecem. O ritual torna-se realidade viva e oferece a todos oportunidades de estar e ser, que embriagam, alegram, entusiasmam, encantam, levam ao êxtase. As vezes o ensaio varou madrugada dentro... revelando limites, resistências... e o sobre-esforço torna-se a única alternativa... na borda da exaustão... e como da água podre brota a flor de lótus, viramos ator encantado, divino, humano em entusiasmos alegre. Na montagem de Bacantes em 2009, fiquei 24h por dia ligado no processo Bacantes. Chegava no Teatro em torno das 15h e lá até a madrugada. Fora do teatro permanecia ruminando hinos, cantos, cenas, visões, sensações... sempre possuído de Entusiasmo e Vontade de baquear... Bacantes09 chegou com força total e logo de passar por Araraquara ficou pronta para viajar por todo esse mundo de Zeus, incluindo no roteiro a nova Cuba de Fidel Castro e o novo Império no comando de OBAama -Penteu iluminado. A estreia em Araraquara em 28 e 29 de março foi um êxito total, grande festa. O público maravilhoso ligado desde o inicio dançou, cantou, sorriu, chorou se divertiu muito. Todos os atores, músicos e equipe técnica estiveram esplendorosos. Foi realmente um momento de graça, êxtase, celebração e ditirambo ao Deus Dionísio, homenageando também o novo ano solar de Zé ditirâmbico. Desde então, ate hoje, Bacantes se tornou ritual de Teatro Estadio de sucesso, que alegra e contagia as multidões que o assistem, que desde logo no inicio se tornam espectadores-participantes: espectadores-bacantes e o ritual é vivido e realizado por todos.
Fotos: (fotos da peça no meu facebook) No site do teatro oficina tem vários links de fotos de varios fotógrafos. Site do Teatro Oficina Fotos das Bacantes por Bruno Castro Fotos da volta de Araraquara de Casandra Fotos das Bacantes09 por Gabriela Queiroz
Taniko de Zeami
Taniko é uma peça de teatro No japonês escrita por Zeami. A adaptação do Zé homenageia a imigração japonesa ao Brasil e agora se transforma em estrela guia da viagem do tyazo Teatro Oficina pelo Brasil e pelo mundo. Trailer de Taniko Taniko agora se torno no prumo e roteiro das dionisiacas, apontando a inspiração do leme: "não se mata o que se ama". .
hector@astrothon.com
