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Em 1846, o astrônomo alemão Johann Gottfried Galle enviou ao francês Urbain-Jean-Joseph Le Verrier um lacônico comunicado: "Senhor, o planeta cuja posição vós nos indicastes realmente existe." Le Verrier via assim confirmada sua previsão quanto à existência de um novo planeta no sistema solar. Com isso ficava comprovada a exatidão da doutrina astronômica mecanicista de Kepler e Newton.
Netuno é o oitavo planeta do sistema solar em distância do Sol, do qual, calcula-se, está separado por cerca de 4,5 bilhões de quilômetros ou trinta unidades astronômicas (distância média da Terra ao Sol). De órbita praticamente circular, leva 164,8 anos terrestres para completar seu movimento de translação e seu período de rotação é de 16,11 horas, com inclinação de 29,6o no eixo. Netuno tem raio equatorial de 24.764km, quase quatro vezes superior ao da Terra, e pólos ligeiramente achatados.
A massa de Netuno é 17,15 vezes maior que a da Terra, o que o torna o terceiro planeta do sistema solar em dimensão. Apesar disso, não pode ser visto da Terra a olho nu, e mesmo a observação telescópica é bastante limitada em virtude da grande distância do planeta com relação à Terra e de seu brilho pouco intenso. De cor azul-escura, Netuno recebe menos da metade da luz do Sol captada por Urano. Apesar disso, os dois planetas apresentam temperatura superficial semelhante, pois Netuno conta com fontes internas de calor. Atribuem-se ao calor emanado de Netuno os violentos temporais que caracterizam sua atmosfera, cujos ventos são os mais fortes do sistema solar.
A determinação da localização de Netuno representou um importante fato para a astronomia, pois confirmou a aplicabilidade das teorias da mecânica celeste aos movimentos planetários. Após a descoberta de Urano pelo britânico William Herschel, em 1781, verificou-se que o planeta não seguia a trajetória prevista. Os astrônomos passaram então a postular a existência de um oitavo planeta, cuja gravidade explicaria os desvios na órbita de Urano. Após algumas tentativas frustradas, os astrônomos John Couch Adams, britânico, e Le Verrier conseguiram calcular sua localização.
Em meados de 1846, Le Verrier aperfeiçoou seus cálculos e apresentou ao alemão Johann Gottfried Galle as coordenadas definitivas do planeta. Em seu observatório em Berlim, Galle localizou Netuno na primeira tentativa. A glória do descobrimento coube a Le Verrier, cujo nome foi proposto para batizar o novo astro. A comunidade científica internacional preferiu, porém, adotar o nome do deus romano dos oceanos, conforme o costume de empregar nomes da mitologia clássica.
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